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Entrevistas e conversas interessantes com apaixonados pelas montanhas e seu entorno natural.

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KLEM LOSKOT
Entrevistamos com exclusividade o escalador austríaco Klem Loskot. Hoje com 32 anos, foi considerado “o melhor do mundo” pela revista Climbing no ano 2000, “título” que não o fez mudar muito sua postura desencanada de ver o mundo. O “malucão”, além de mandar muito na escalada esportiva, tendo encadenado graus de vanguarda do esporte e feito boulders em lugares remotos e inexplorados, acaba de lançar um livro de fotografias e textos “inspiradores” como ele mesmo chama. Klem se destacou no final dos anos 90 após ficar “escondido em laboratórios” escalando e treinando muito e ter repetido com muita rapidez diversas das vias esportivas mais difíceis do mundo. Considerado um ícone na evolução do esporte e com estilo único de escalar, Loskot “viaja” durante a entrevista. Confira.

Wilo – Sei que você ama o surfe além da escalada. Vejo muitas conexões entre as duas atividades, como o contato com a natureza, e a geração de movimento a partir de energias naturais (ondas, rochas). O que você vê, ou pensa a respeito dessas relações entre os esportes?

Klem – Sinto da mesma forma. A ligação entre atividades, e também adoro esquiar entre outras coisas, e variar me deixa menos focado em uma única coisa e me faz mais feliz. Geralmente isso acontece quando estou ao ar livre em algum lugar com boas vibrações para mim e para meus amigos, lugares em que nos sentimos bem e sem outras pessoas, algo realmente “private”. Assim não ocorre muita interferência dos outros e podemos apenas seguir nossos sonhos em suas formas mais puras. Seja qual for o sonho, ele sempre estará conectado às energias naturais. É apenas um bom sentimento sendo levado por estas energias.

Wilo – Você sempre foi um escalador “top”, mas em sua biografia, você não se interessou pela competição esportiva na escalada. Por quê?

Klem – Em competições eu perdia tudo aquilo que amava, é o que acabei de comentar anteriormente. Eu tinha de ter uma performance, vencer os outros ao invés de fluir com eles, e ao mesmo tempo tinha de seguir regras e assim não me sentia livre, me sentia como uma “ovelha”.

Wilo – A revista Climbing nomeou você “o melhor do mundo” no ano 2000. Algo mudou na sua vida desde então?

Klem – Minha atitude foi de voltar à ingenuidade que eu tinha quando comecei escalar. Mas logo percebi que tudo o que conta é que amo algo que me faz feliz, que compartilho com amigos. É menos sobre o exterior (como aparecer para o público por exemplo) e mais sobre ir para dentro, ao seu interior.

Wilo – No seu livro “Der Elfte Grad” (O 11º Grau) você fala sobre novas posturas corporais e estudos de movimentos. Fale mais sobre isso.

Klem – Tentei apenas explicar sentimentos que vinham de dentro. Falei com minhas próprias palavras, palavras que nós mesmos criamos. Tentei trazer o meu mundo à tona e adicionamos figuras e fotos para tornar aquilo visível. Mas estas fotos eram do exterior, obviamente tiradas por alguém, enquanto tínhamos outras imagens que vinham dos nossos insights, que eram mais abstratas.

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Wilo – Planos para altas montanhas? Se sim, qual sua opinião sobre o uso de oxigênio suplementar?

Klem – Nunca estive tão alto que precisasse de oxigênio suplementar. Mas as montanhas são “construções” maravilhosas. Elas me atraem, mas sempre fui um “boulderer” e um escalador esportivo. Estava sempre faminto pela sensação do “flow” durante momentos intensos e curtos. Quanto mais velho, mais paciente fico, e mais as montanhas me atraem, mas ainda estou longe de ter novos projetos ou planos.

Wilo – Conte mais sobre seu novo livro “Emotional Landscapes” (Paisagens Emocionais). Em seu site diz que você visitou muitos países durante a elaboração deste livro, inclusive o Brasil. Onde você escalou por aqui?

Klem – Não há muito o que dizer, eu tentei resumir tudo em 168 páginas. No Brasil, fui com um ex-patrocinador e tudo foi organizado e nós estávamos o tempo todo em aviões ou em longas voltas de carro. Só lembro que voamos até São Paulo, dirigimos até algum lugar do interior, depois fomos para o Rio, novamente para o interior, novamente um avião, e etc… O que sei é que uma experiência com um grupo tão grande e tantos interesses diferentes foi difícil para que eu pudesse mergulhar em meu mundo. Mas me lembro que amei as montanhas e morros verdes, algumas formações rochosas realmente lindas, e depois naveguei pela internet para saber mais e acho que vocês são muito sortudos quanto à qualidade e altura geral de suas rochas!

Wilo – Alguma chance de ter o Emotional Landscapes em português?

Klem – Eu publiquei em inglês, tem muitas fotos, inclusive algumas de página dupla e outras de página inteira com pequenos textos inspiradores. Considerando que não sou o Paulo Coelho, não vejo chance de isso acontecer.

Wilo – Escalar e surfar são atividades que precisam de um ambiente protegido e um espaço natural preservado. Você trabalha de alguma forma por ações contra as mudanças climáticas ou contra a poluição?

Klem – Eu sou um grande poluidor. Ao longo dos anos voei várias vezes pelo planeta, dirigi meu carro, e estou apenas “seguindo a correnteza”. Acho que somos o que fazemos e mais cedo ou mais tarde os humanos causarão problemas ainda maiores do que já temos hoje. Nossa meta é a morte e é por isso que temos tantas atitudes ruins, o que também é natural de certa forma. Não sou um ativista, não há muita energia para isso, meu ego é muito grande. Sou egoísta. Procuro respeitar…(aqui Klem pára de escrever sabe-se lá por que motivos…rs).

Wilo – Algum projeto futuro que você quer falar a respeito?

Klem – Ser feliz e viver uma vida básica quando voltar para casa. Construir um pequeno barco a remo e vela e gastar muito tempo em lugares remotos no mar mediterrâneo, que é perto de casa.

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Wilo – Alguma via em particular que marcou sua vida?

Klem – Nunca fiquei tantos dias ou meses, ou anos, em uma via em particular. Por isso nunca escalei algo tão realmente difícil. Talvez algum dia eu encontre inspiração, tempo e energia para isso.

Wilo – Deixe seu recado para os apaixonados pelas montanhas e a escalada.

Klem – Nada demais. Sou apenas um garoto das florestas austríacas, tudo está em nossas mãos. Aproveite!

Fotos | klemloskot.com
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SERGIO ROBLES
O Wilo Montanhas entrevistou com exclusividade o presidente do Clube Alpino Paulista (CAP), Sergio Robles. Fundado em 1959 por Domingos Giobbi, em seus 45 anos de existência, o clube promoveu e promove ações pelo meio ambiente das montanhas e atua pelo código de Ética do Montanhismo, internacionalmente adotado, dentro dos valores divulgados pela União Internacional das Associações de Alpinismo, a UIAA.

Além de sua atuação pró-montanhismo, o CAP fundou a primeira Escola de Guias no país e promove cursos de diversas modalidades envolvidas no universo das montanhas, como escalada, progressão em gelo e neve, navegação, e auto-resgate.

Detalhes sobre estas informações estão disponíveis no site do CAP, conheça. Confira abaixo a entrevista.

Wilo – Como você enxerga as altíssimas taxas cobradas em parques nacionais de altas montanhas, como nos Himalayas, ou no Aconcágua (justifica-se que as taxas cobrem custos de resgate e manutenção do campo base e do parque) sendo que são espaços naturais e que teoricamente seriam de livre acesso?

Sergio – Em princípio os ambientes naturais são de livre acesso, mas também é preciso lembrar que quando se oferece alguma estrutura de apoio (banheiro, médico, retirada de lixo, resgate, entre outros), é natural que haja algum tipo de cobrança. Em certos lugares, como os citados, com enorme afluência de público, com maior ou menor consciência de mínimo impacto, a existência de uma estrutura mínima de apoio passa a ser importante, e pode justificar a cobrança de taxas. Por outro lado, no caso do Nepal, a entrada de recursos em função da montanha é significativa e o estado se aproveita desse fluxo para arrecadar recursos. Penso que a cobrança é minimamente justificável quando existe a oferta de algum serviço. De todo modo, parece sempre uma forma de o estado arrecadar dinheiro.

No Aconcágua, em particular, penso que poderia haver uma cobrança diferenciada, em função de diferenças de moedas (fortes ou fracas). Não parece muito adequado cobrar os mesmos USD 300,00 de um brasileiro ou de um colombiano, assim como se cobra de um norte-americano ou de um japonês, simplesmente por uma questão de poder aquisitivo.

Por outro lado, vemos parques no Brasil cobrando ingresso, sem oferecer quase nada de retorno, e ainda mais, querendo instituir a presença do guia obrigatório, geralmente com menos qualificação técnica que os montanhistas. Neste caso, sim há uma inversão de valores: querem obrigar a contratar um “acompanhante”, que provavelmente pouco poderá acrescentar para a realização das escaladas, caminhadas ou travessias.

Wilo – O CAP atua com outras entidades de montanhismo nacionais ou internacionais? Como se dá esta parceria?

Sergio – Sim, o CAP é sócio fundador da Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo, sócio fundador da Confederação Brasileira de Desportos na Neve, foi durante muito tempo o representante brasileiro na UIAA (União Internacional das Associações de Alpinismo, o órgão máximo do montanhismo a nível mundial), até repassar essa posição para a CBME há dois anos. É membro também da UPAME (União Panamericana de Montanhismo e Escalada). Em suma, o CAP se caracteriza por uma atuação abrangente e de vanguarda no mundo da organização do esporte.

Além dessas ligações institucionais temos um acordo de cooperação com a Federação de Andinismo do Chile, pelo qual sócios nossos podem participar das atividades da FEACH com vantagens, assim como ocorre o inverso para representantes do andinismo chileno. A troca de experiências de montanha no âmbito internacional, especialmente com os vizinhos, além de incrementar o convívio e conhecimento mútuo, pode trazer grandes avanços técnicos bem como propicia a integração institucional, fortalecendo as posições frente a governos e frente a iniciativas comerciais.

Wilo – Como funciona a Escola de Guias? Como os interessados podem ingressar?

Sergio – A Escola de Guias do CAP é composta por Guias em três categorias: de Caminhada, de Escalada e de Montanha, sendo esta última a mais completa. Esta diferenciação é relativamente recente e visa acomodar e reconhecer as capacitações também em função dos interesses individuais. A obtenção do título se dá pelo cumprimento de uma série de requisitos técnicos e tipicamente ocorre depois de alguns anos de prática esportiva. Por tratar-se de uma organização interna, somente sócios do CAP podem ser Guias da EGCAP, e esta titulação é interna ao Clube.

Wilo – Muitos veículos de comunicação, e a abordagem da mídia não especializada no geral, ao falar sobre montanhismo e escalada, rotulam a atividade como algo “radical”, ou de aventura com foco somente na venda de pacotes turísticos ou equipamentos. Esta abordagem superficial e mercadológica acaba por sua vez levando uma série de pessoas totalmente despreparadas para o ambiente de montanha, muitas vezes perigoso. O que você pensa a respeito desses problemas?

Sergio – O montanhsimo que praticamos é uma atividade intensa, tanto física quanto emocionalmente, mas de forma alguma irresponsável. No CAP, seja nos cursos, seja nas saídas para escalada ou nas expedições, existe uma profunda preocupação com o respeito ao código de ética que apregoamos, que pode ser melhor apreendido pela leitura do Código de ética da UIAA (que está disponível em nosso site, www.cap.com.br). Esta ética considera o respeito ao meio ambiente, o respeito aos moradores locais, o respeito à segurança, a necessidade de ajudar a quem está em perigo. Também, como mencionado em outra questão, o montanhista deve ser responsável por si, especialmente em alta montanha, onde as condições são particularmente adversas, o que evidencia que planejamento é fundamental. Enfim, temos no Clube uma forma muito humana e responsável de encarar a vivência em Montanha.

A mídia em geral desconhece a base intelectual e técnica do Montanhismo, e ao simplificar comete muitos equívocos, por pura ignorância.

O chamado Turismo “de aventura” é um rótulo recentemente inventado pela indústria do turismo, para dar um sabor de novidade e suposto desafio às atividades que ele vende e tem obtido sucesso na pretendida repercussão na mídia, para alavancar seu crescimento. No caso do montanhismo existe o risco de o turismo vender uma ilusória capacidade técnica de realizar escaladas ou caminhadas de forma adequada. Turistas que queiram novamente fazer essas atividades por conta própria podem cometer grandes equívocos – basta lembrar os turistas perdidos regularmente no Parque Nacional do Itatiaia.

O pior efeito do turismo dito “de aventura” está relacionado à invasão do âmbito esportivo que está sendo cometido por esse setor. Hoje há uma pressão muito grande do empresariado que luta pela imposição de uma série de regras para a visitação dos Parques: a obrigatoriedade de contratação de guias locais, a proibição de escaladas de forma independente, a proibição de caminhadas e travessias de longa duração autônomas. Dessa forma, o empresariado conseguiria obter para si uma reserva de mercado, impossibilitando escaladores e montanhistas (esportistas, cuja organização se rege pela Lei Pelé, vale lembrar) praticar suas atividades de forma independente, sem precisar contratar supostos “guias”, usualmente muito menos qualificados tecnicamente.

Esse vício vem sendo acompanhado pelo governo, pelo estado, que “compra” facilmente as idéias da indústria do turismo, em detrimento do ambiente natural e em detrimento das reivindicações dos montanhistas.

Exemplo? A recente realização do Ecomotion Pro no estado do RJ, em que esta prova foi autorizada, na última hora, por meio de medidas judiciais, a atravessar o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Petrô-Terê). Centenas de pessoas competindo e nas equipes de apoio, chocando-se de frente com a proibição explícita para a realização de competições que consta no Plano de Manejo dessa Unidade de Conservação.

Situação parecida aconteceu no ano passado no Parque Nacional do Itatiaia, quando as travessias eram proibidas para qualquer cidadão e a prova foi autorizada a percorrer (e sujar) o parque. Promessas não cumpridas de “compensação”.

Por quê? A força do dinheiro… espetáculo e falsas promessas de apoio. E espero que seja apenas isso.

Wilo – Comente o aviso que está na Home do site do CAP, sobre não apoiar iniciativas comerciais

Sergio – O CAP, por definição, é uma entidade sem fins lucrativos, em primeiro lugar. Além disso, pelo exposto anteriormente, as éticas da indústria e do montanhismo são quase que líquidos imiscíveis, pois os objetivos são muito diferentes. Nada de errado em querer auferir lucros com uma atividade comercial, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Desta forma, não há como o Clube Alpino Paulista apoiar uma atividade comercial.

Também preciso citar que de tempos em tempos surge alguma iniciativa comercial (site, agência de turismo, etc.) que coloca o CAP como “parceiro” e publica o logotipo do Clube com certo destaque, sem ao menos nos consultar. Regularmente estamos varrendo a internet, para poder cobrar a eliminação de referências não autorizadas do Clube. Normalmente temos como resposta “…um erro de nosso webmaster…”, o que não parece muito verossímil.

Estas ocorrências mostram, por um lado, o respeito que o CAP tem no mundo de montanha, ao mesmo tempo que exemplifica a voracidade das iniciativas comerciais em aproveitar-se e pegar carona nas instituições para tentar “colar” em suas marcas uma imagem de respeitabilidade.

Wilo – Para se filiar ao CAP há a necessidade do montanhista demonstrar número mínimo de horas de experiência em ambiente de montanha. Como seria esta comprovação? Apenas por relatos, ou documentada e que forma de documento é valida?

Sergio – Para filiar-se definitivamente ao CAP é necessário passar pelo Curso Básico de Montanhismo ou pelo Curso de Progressão e Escalada em Neve e Gelo do Clube. Como os dois cursos são longos e completos, com muito tempo de vivência em montanha, podemos transmitir aos nossos alunos toda nossa tradição e visão de mundo, no tocante à Montanha. Nossa tradição oral pode ser facilmente compartilhada. Assim, um aluno passa a entender quais os propósitos do Clube e qual a ética que nos norteia.

Um candidato a sócio que não tenha participado dos cursos pode freqüentar o CAP e passar por um período de “aclimatação”, como costumamos brincar, de seis meses, durante o qual, nas conversas com o grupo, ele poderá introjetar nossa visão, ao mesmo tempo em que ele participará de escaladas e saídas com sócios. Assim, estes poderão atestar sua qualificação técnica e ética. Lembro que todo candidato a sócio precisa ter o aval de dois sócios para ter seu pedido analisado.

Desta forma pretendemos garantir que nossa visão e, portanto, o Clube, subsista no tempo, mantendo seus ideais.

Wilo – Voltando um pouco à questão um. O montanhismo romântico (da verdadeira aventura rumo ao desconhecido) só é possível hoje talvez em picos desconhecidos, em que o montanhista escala por sua própria responsabilidade. Você acredita que esta prática “romântica” ainda é válida? Ou seria uma irresponsabilidade?

Sergio – Não necessariamente. Na cordilheira dos Andes ou na China, por exemplo, há um imenso número de montanhas que não demandam pagamento de taxas nem de nenhuma autorização. Por aí vemos que é possível praticar montanhismo de forma “romântica”, como você expressa. Partir para um destino sobre o qual não conhecemos nada ou quase nada para explorar e escalar (hoje em dia dificlmente acontece, dada a vastíssima fonte de informações que a internet representa) é perfeitamente possível. Nessa linha, considerando que o montanhista seja uma pessoa tecnicamente capacitada, não creio que haja irresponsabilidade. O mesmo se aplica a escalada em solitário em lugares remotos. Antes de mais nada, um montanhista deve saber perfeitamente que o único responsável pelo seu bem-estar e sua segurança é o próprio. Saberá avaliar os riscos e assumi-los, para realizar o que planejou. Sabemos que é uma atividade que inclui riscos, inclusive de morte, e estes riscos são aceitos pelo montanhista.

Wilo – Sei que o CAP sustenta uma biblioteca rica em material e publicações de montanha, o que é muito importante para difundir conhecimento sobre o tema. Você não acha que falta ainda no Brasil muito a se investir no mercado editorial de montanha e sobre montanha (considerando que no exterior temos centenas ou até mesmo milhares de livros, revistas, jornais sobre isso)?

Sergio – A biblioteca do CAP de fato tem um acervo extenso, para nossos padrões modestos, mas muito longe do que gostaríamos. A questão do mercado de montanha me parece que passa muito pelo tamanho do mercado. Apesar de haver hoje um número muito maior de montanhistas e escaladores que alguns anos atrás, esse grupo parece não ser numeroso o suficiente para sustentar publicações regulares de qualidade, como era o caso da revista Headwall, para citar um exemplo. Penso que esse projeto tinha um custo tal, que não foi sustentado pela tiragem, e por consequência, pelos anunciantes e vendas de exemplares, levando ao fechamento do negócio. Parece que por um lado os montanhistas despendem um bom dinheiro em equipamento, mas não o fazem com a mesma facilidade quando se trata de revistas e livros, ou mesmo com iniciativas coletivas, como é o caso do projeto da FEMESP, de regrampeação do complexo da Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí. Até hoje, muito poucos escaladores fizeram sua doação, que pode ser meramente simbólica, apesar de haver necessidade de refazer centenas de proteções fixas.

Por outro lado, devemos louvar algumas recentes publicações de livros, como o caso do livro “Montanhismo Brasileiro – Paixão e Aventura” do Antônio Paulo Faria, por exemplo.

Wilo – Deixe sua mensagem, recado ou fale o que quiser para nossos leitores, apaixonados pela escalada e as montanhas como nós.

Sergio – O que sinto é que é importante neste momento, além do óbvio, que é escalar, ir à Montanha e conquistar o inútil (para citar Lionel Terray), é o apoio aos clubes, federações e confederação, para podermos, organizadamente, enfrentar as iniciativas comerciais e defender o espaço natural, preservando-o para as futuras gerações.
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ENTREVISTA: FILIPPO CROSO

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Esta entrevista com Filippo Croso aconteceu há alguns anos atrás, quando a Revista Headwall acabava de nascer, e se mostrava promissora como veículo de comunicação especializado em um tema fascinante que é o montanhismo. Filippo Croso respondeu a estas perguntas quando era o editor da HW. Pioneira no país no seu formato e qualidade, a revista lutou por sobrevivência durante 4 anos. Filippo escala há mais de 10 anos com vasta experiência em montanhas no Brasil e no exterior.

Feita praticamente “à mão”, por colaboradores, equipes reduzidas, orçamento apertado e muita vontade, a Headwall saiu de circulação por falta de recursos, o que não significa que não possa voltar ao mercado um dia (e tomara que sim). Talvez porque os escaladores não têm grana para comprar, talvez porque o mercado não soube enxergar um público-alvo que lhe interessasse para investir na revista, talvez porque ainda não fosse sua hora de entrar num mercado segmentado e exclusivo, e ainda engatinhando no Brasil. O que importa é que a Revista Headwall marcou seu tempo e espaço.

Não se trata apenas da vida e morte de uma publicação, mas de um segmento do mercado editorial, que desde a época desta entrevista, traz de volta um problema que sempre relembramos: há muito a ser explorado, mas falta visão deste potencial.

Quem está cego? Não sabemos dizer ao certo. O que sabemos é que na Europa e nos Eua existem centenas, talvez milhares de publicações no segmento de montanhismo, aventura, escalada, trilhas, camping, esportes ao ar livre, e tudo isso recheado de textos redigidos com profundidade, registros históricos, documentação fotográfica, etc.

Enquanto isso no Brasil, com raras exceções, as publicações que recebem altos investimentos de grandes anunciantes têm conteúdo fútil, vendido, pouco interessante e feito sem compromisso algum com o meio ambiente ou com aqueles que praticam as atividades que noticiam. É comum ver a escalada e o montanhismo tratados como atividades “radicais”, ou brincadeiras cheias de adrenalina. Pacotes de liberdade, como se fosse possível comprar tal coisa.

A Headwall foi muito além, seguindo linhas editoriais com textos profundos, como as consagradas revistas espanholas (Desnivel, Escalar), francesas (Montagnes), inglesas (High), e americanas (Climbing, Rock and Ice).

Hoje temos o sobrevivente Mountain Voices, um jornal independente que se mantém gratuito. Temos livros do Sérgio Beck, também independentes, vendidos em lojas especializadas e fora do circuito comercial, temos muitos sites e blogs (como este que vos escreve) pela internet, ainda bem! Mas repito, falta investir neste mercado editorial com mais paixão pelas montanhas e o meio ambiente, e menos fome de lucro. Confira abaixo.

Wilo – Como editor da revista, que já podemos considerar uma das principais publicações do gênero no Brasil, você acha que ainda falta muito a explorar neste mercado editorial? A exemplo das editoras européias que publicam centenas de livros, manuais técnicos e revistas anualmente?

Filippo – A literatura de montanha é riquíssima e muito envolvente, e o montanhismo é uma das atividades que melhor se expressa através da fotografia, mas é preciso analisar por um lado o potencial que pode ser explorado editorialmente, e por outro, a capacidade atual de absorção do mercado da escalada no Brasil. O potencial do ponto de vista editorial é imenso. As publicações que existem hoje no mercado brasileiro representam somente a ponta do iceberg de toda uma gama de assuntos, matérias e formatos que poderiam ser trabalhados, porém o mercado da escalada no Brasil ainda não é grande o suficiente para que este potencial seja plenamente desenvolvido.

Wilo – Você acha que falta visão de mercado para os editores brasileiros? Falta interesse, ou é uma questão meramente financeira? Quer dizer, as publicações sobre o assunto (montanhismo, escalada, aventura) não são lucrativas e por isso são menosprezadas?

Filippo – Existe muito interesse por parte das editoras brasileiras que tratam especificamente do assunto, e os poucos lançamentos refletem ao mesmo tempo a questão financeira das editoras e as preferências de leitura do mercado, em parte influenciadas pelo marketing e o monopólio das grandes editoras, que não se interessam pelo gênero provavelmente por não o acharem lucrativo. Para as editoras que tratam de montanhismo, vontade ou idéias não faltam e mesmo com as dificuldades que existem temos visto um aumento significativo de publicações sérias no mercado, especialmente no caso de guias de vias de escalada de determinadas regiões. Esse tipo de publicação é um bom indicador da situação na qual se encontra o montanhismo de um país, e o número elevado de bons lançamentos que temos tido nessa área é um ótimo sinal que demonstra um crescimento gradual e bem estruturado da atividade.

Wilo – É visível o crescimento das atividades esportivas ao ar livre, sobretudo da escalada esportiva e o interesse pelo montanhismo no nosso país nos últimos anos, ou na última década. Por outro lado, este crescimento também traz problemas, tanto ambientais como no caso de acidentes. Como a Headwall colabora nestes temas? A revista busca conscientizar seus leitores de que maneira?

Filippo – Através das matérias publicadas na revista, que abordam a escalada e o montanhismo com profundidade, com um conteúdo que transmite o espírito da comunidade escaladora; suas realizações, dúvidas, questionamentos, reflexões. Nas matérias, questões de segurança e mínimo impacto ambiental são sempre enfatizadas. Outra forma é dedicar espaços na revista para divulgar os esforços e iniciativas da comunidade, seja individualmente ou no campo das associações, clubes e federações; iniciativas que visam estruturar e organizar as atividades de escalada e montanhismo e incentivar seus praticantes a participarem ativamente desse objetivo.

Wilo – Na Europa, a ligação entre montanhismo e política é visível nas organizações de montanhistas e escaladores. Associações, Federações e outras entidades civis têm forte representação no âmbito governamental na hora de criar leis de preservação, conservação e dos direitos dos escaladores (inclusive o lendário Reinhold Messner é deputado na Alemanha). Você acha que o Brasil está buscando este caminho?

Filippo – Sem dúvida. Clubes e associações de montanhismo estão cada vez mais conscientes do seu papel para que as atividades que representam sejam reconhecidas e respeitadas pela sociedade, e cada vez mais estão se estruturando e se engajando ativamente nesse processo. Dessa conscientização é que surgiram as Federações, que são uma extensão desse propósito e que terão maior representatividade junto aos órgãos políticos e à população, visando garantir que a escalada e o montanhismo seja praticado com responsabilidade e segurança e que tenha um papel definido como atividade esportiva, cultural e construtiva para a sociedade.

Wilo – As organizações, associações e federações brasileiras parecem muito restritas ao lado esportivo da escalada, e pouco interessadas nas conseqüências que esta atividade acarreta ao meio ambiente, apesar de alguns casos isolados como a região de São Bento do Sapucaí e Serra do Cipó (Lapinha, Baú de Minas), em que percebemos uma maior preocupação ambiental com o fechamento de certas áreas de escalada. Você concorda?

Filippo – Não, de maneira nenhuma. Organizar e regulamentar as competições é necessário para tornar as próprias competições mais interessantes e integrativas, sem contar que estando organizadas, rankeadas e estruturadas, as competições terão maior projeção nacional e possivelmente internacional, além de contar com um maior apoio por parte do setor privado, o que possibilita prêmios melhores e mais infra-estrutura. Isso tudo incentiva e dá condições de novos atletas estarem participando e a escalada esportiva evolui. Mas as ações das associações e federações vão muito além do âmbito esportivo da atividade. Dezenas de Encontros de Escalada são realizados durante o ano, em números cada vez maiores, que visam integrar escaladores, conscientizar os participantes nas questões de meio ambiente e mínimo impacto, apresentar novos points de escalada, promover limpeza e contenções das trilhas que levam às pedras, entre outras atividades. Iniciativas como o “Pega Leve”, “Adote uma Montanha”, “Dia da Montanha Limpa”, são somente alguns exemplos. As Federações estão também envolvidas em se reunir com órgãos públicos, como o Ibama e diretorias de parques, por exemplo, para chegarem juntos à elaboração de planos de manejo consistentes e garantindo também o acesso dos escaladores às áreas de escalada.

Wilo – Você acha que a Headwall pode ser num futuro próximo, uma publicação de abrangência continental na América Latina? Existe um intercâmbio com outras publicações chilenas, argentinas, por exemplo? E estas enfrentam as mesmas dificuldades?

Filippo – Não vejo isso acontecendo em um futuro próximo. Para isso seria necessário muito mais tempo disponível e maior investimento financeiro, pontos que atualmente a Headwall já está trabalhando no limite. A Headwall não tem nenhum intercâmbio com outras publicações, mas tem um intercâmbio fantástico com escaladores e escaladoras. São essas pessoas que efetivamente fazem a revista. Como editor, o meu papel está mais centrado em coordenar e organizar todo o material, resultando em uma edição.

Wilo – E o eterno conflito Escaladores X Rapeleiros e a confusão que muita gente faz entre uma atividade e uma técnica? A Headwall costuma abordar o tema de que maneira?

Filippo – A Headwall não aborda este tema. A revista trata de escalada e montanhismo e transmite no seu conteúdo a visão que tem, e acredito que a comunidade escaladora tenha, da essência do montanhismo, através de matérias sobre locais de escalada, entrevistas, fotografias, novidades, equipamentos, e as vezes matérias de treinamento e técnica. Um tema interessante para uma matéria sobre técnica seria montagem de paradas e ancoragens, equalizações e métodos de segurança que podem ser utilizados durante um rapel.

Wilo – Ainda sobre o mercado “de aventura” no Brasil. Não lhe parece que está sendo explorado de uma maneira muito consumista e superficial? A própria grande mídia parece enfocar as atividades ao ar livre de uma maneira muito simplista e chamar de “esporte radical” uma atividade que considero “tradicional” e não “radical” como no caso da Escalada e do Montanhismo. A escalada existe há centenas de anos, e tem como característica o risco, porém chamar de “esporte radical” não seria uma banalização?

Filippo – Eu concordo. “Rotular” tem sido uma ferramenta muito eficiente de marketing para vender qualquer coisa. Um rótulo simplifica e a pessoa acaba não refletindo mais profundamente sobre o conteúdo que está sendo rotulado. No caso de “esporte radical”, muitas pessoas são atraídas por uma motivação ilusória e passageira, e em pouco tempo se cansam ou percebem uma falta de afinidade. Para o mercado, mesmo abandonando a atividade, essas pessoas já consumiram. Para o meio ambiente, os danos causados por grupos de pessoas sem informação são muito graves e acabam prejudicando também as pessoas que realmente praticam a atividade.

Wilo – Fique à vontade para acrescentar algo de seu interesse, ou uma mensagem para nossos leitores e leitoras, amigos e amigas de escalada.

Filippo – Qualquer atividade terá muito mais sentido se praticada com consciência e profundidade. No caso da escalada, não se trata de sentir uma “adrenalina passageira”, mas de entrar em outra dimensão, que pulsa em um ritmo muito diferente daquele do cotidiano, da cidade, do mercado, da produção. Não tenho nada contra uma “adrenalina passageira”, mas para isso existem os parques de diversão. Ao entrar em parques naturais, ao entrar em contato com a Natureza, com ambientes preservados, antigos e pouco tocados, é preciso saber que não se trata de um produto humano, feito para entretenimento, mas de uma força viva muito mais antiga que o ser humano, que nos permite a vida e que pode tirá-la também e com a qual deve se interagir com respeito, humildade e principalmente leveza de espírito.

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ALÊ SILVA

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Wilo – A Casa de Pedra talvez não tenha sido a primeira academia de escalada no país, mas certamente está entre as mais conhecidas. Como surgiu a decisão que levou ao nascimento da CP?

Alê – Não sei ao certo, mas acho que a CP foi a segunda academia no país. Comecei escalando por acaso, levado por um amigo na recém inaugurada 90 Graus que está a 5 minutos de casa. Apesar de fazer parte da “geração de plástico”, ou seja, comecei escalando em academia, logo no início comecei a ir bastante para rocha e a paixão pelo montanhismo foi à primeira vista. Passados apenas 3 anos escalando e após ter viajado e conhecido muitos lugares no Brasil e exterior, decidi que queria viver da escalada e comecei a pesquisar o mercado, dando início ao projeto Casa de Pedra.

Wilo – Como você enxerga o atual mercado de montanhismo no Brasil? Estagnado? Crescendo? Falta algo para melhorar?

Alê – Nossa, essa pergunta é bem complexa… Acho que o mercado de montanhismo está mais “maduro” do que anos atrás, porém não necessariamente maior.

Falando em “escalada esportiva”, que é a categoria de influência direta da CP, acho que os anos de 1999 a 2002, foram o grande “bOOm”. Assim como Skate, Paintball, Boliche, Kart Indoor, Patins Inline, a escalada também teve sua época de modismo. Nesta fase eram muito mais “clientes” se divertindo com a escalada, do que temos hoje. No entanto o público hoje é muito mais qualificado. Hoje temos escaladores treinando, ou mesmo pessoas que buscam na escalada um esporte alternativo saudável e divertido para praticar depois do trabalho. Acho que aos poucos voltaremos ao volume anterior, porém de pessoas muito mais engajadas com o montanhismo. De forma geral acho que o que falta são mais pessoas realmente afim de ver o esporte crescer e que tomem a iniciativa. Só falar e não fazer nada tem um monte de gente.

Wilo – Existe hoje, e cada vez mais, uma visão taxativa da escalada como esporte radical, o que é bom por um lado e ruim por outro. O montanhismo também é rotulado como “aventura”, como você vê esses rótulos?

Alê – Eu simplesmente ODEIO a palavra radical… Colocam na mesma bacia a escalada, skate, paraquedismo, etc. Pra mim a escalada esportiva pode ser chamada de esporte, afinal o que vale é a superação física, evolução técnica, campeonatos e novas vias mais e mais difíceis, mas nem por isso vejo algo de radical neste esporte. Radical é voar a mais de 3 metros do lip de um half-pipe dando cambalhotas. Na escalada o auto-controle e concentração predominam. Já o montanhismo é outro papo, não deveria existir rótulo algum, principalmente porque as razões que fazem cada um ir pra montanha podem ser as mais diversas possíveis, das mais nobres às mais chulas. Existe uma palavra em inglês, que se traduzida, não é exatamente a mesma coisa, mas que acho que exprime o significado do montanhismo pra mim… “WAY OF LIFE”.

Wilo – É possível ganhar dinheiro com escalada no Brasil?

Alê – Olha, eu estou tentando há quase 10 anos… Sem dúvida alguma o montante que já investi neste esporte passa longe do quanto já colhi até hoje, no entanto trabalho fazendo o que gosto e acredito estar fazendo história. Quanto será que isso vale? Guardada as devidas proporções eu tenho dificuldade de saber quando estou trabalhando e quando estou me divertindo e isso pra mim é motivo de orgulho. Há pouco mais de 9 meses inaugurei em São Paulo a primeira loja com a marca Casa de Pedra, acho que comercialmente o futuro é mais promissor que um ginásio de escalada, mas com certeza tenho passado mais horas na frente do computador do que gostaria.

Wilo – A Casa de Pedra trabalha junto com outras entidades para promover ações a favor do meio ambiente, já que a escalada em rocha precisa destes locais para sua prática?

Alê – Sem rodeios digo que não e vou explicar porquê. Sempre que me convidaram a realizar alguma ação, essa ação era bem vista por uns e mal vista por outros. Nunca a comunidade local chega a um consenso da melhor forma de resolver um problema de uma área de escalada e por isso sempre preferi ter o nome jurídico fora destas confusões. Por exemplo: tal trilha está erodindo, uns querem fechar a área, outros querem fazer contenção com toras e pedras e terceiros preferem que se fixe uma escada de ferro por fora da trilha. Eu não vou dar a cara pra bater tomando nenhum dos partidos, entende. Pessoalmente eu tenho contribuído com regrampeações, ajudo em ações nos locais que mais frequento e assim por diante. Meu maior projeto ainda está no lado social. Já faz uns 5 anos que um comprovante de doação de sangue pode ser trocado por um dia de escalada na CP. Outro projeto futuro é a criação de uma ONG que junto com a CP dará escalada gratuita à crianças carentes e do ensino público nos horários mais ociosos da academia.

Wilo – Você teve participação e criação de vias já consideradas clássicas no Baú (e outros locais no Brasil?), e que foram e continuam sendo importantes contribuições para a escalada esportiva brasileira, conte um pouco ou alguma curiosidade sobre alguma destas vias.

Alê – O Baú é o quintal da minha casa “literalmente” pois tenho um casinha quase lá em cima e portanto é o lugar onde tenho mais vias abertas e outros projetos. Há ainda vias minhas lá que praticamente não foram divulgadas e precisam entrar no guia para que mais escaladores passem a frequentá-las, porém a SUPERMAN 9b, BAGULHO IGNORANTE 9c e mais recentemente a BAGULHO MAIS QUE IGNORANTE 10?, que é a extensão da anterior e ainda não foi mandada, são os graus mais fortes do complexo. O interessante e triste da Bagulho é que abri a via e nunca consegui mandar…. 😦

Agora então, depois de anos sem treinar forte é que acabaram minhas chances, mas fico feliz cada vez que sei que alguém entrou e encadenou a via. É sempre um prazer ver novos escaladores nas vias que abri. Um toque aos escaladores é que a SUPERMAN, depois que quebrou a agarra do crux, foi praticamente esquecida, mas pra quem não se importa em colocar um estribo na 3 chapeleta e seguir em frente, garanto que todo o restante da via dá um maravilhoso 8º grau.

Wilo – Projetos futuros de montanha ou escalada? Quais?

Alê – Cara, cada projeto agora passa pelo cronograma da empresa, alvará da mulher e da filha, e por fim pelo meu, de ver o quanto vale a pena deixar tudo pra trás e seguir adiante. Eu passei por uma fase “um pouco de saco cheio da escalada” que foi muito boa, corri dois Rally dos Sertões de moto, que é outra paixão minha, mas agora estou voltando às origens e bem empolgado com novos projetos. Acabei de voltar do Nepal onde fiz uma travessia gigante entre os vales do Makalu e Khumbu durante 40 dias, e pretendo voltar lá em 2009 para escalar o Cho Oyu(8201m). Quero muito escalar uma montanha de 8mil e até lá farei outras coisas pela América do Sul.

Wilo – Entrevistei o Filippo Croso há alguns anos atrás, quando a Headwall era publicada com muito suor por ele e nós colaboradores que amavam a revista. Foi uma iniciativa pioneira de todos envolvidos. Como sabemos o trabalho está parado por um tempo por falta de recursos. Você acha que falta visão dos empresários brasileiros da área sobre o mercado editorial de montanha no país (considerando que no exterior são centenas de publicações sobre montanha e escalada que existem há anos)? Ou falta é grana mesmo?

Alê – Cara, não falta grana, falta mercado, ou seja, por tabela falta grana… Deu pra entender? Não existe mercado pra segurar uma revista só de escalada no Brasil (ou pelo menos com aquela proposta e qualidade). O que dá pra fazer é uma revista genérica com tudo misturado, que é o que vemos por aí nas bancas, e olha que mesmo assim é dificil. Daí acabam saindo matérias fracas com um pouco de tudo, e o escalador torce o nariz pra comprar um revista que fala da mesma forma sobre escalada e maratona.

Quando o Filippo veio conversar comigo sobre o projeto da Headwall, eu disse, “Filippo, nem precisa explicar o projeto, estou com você até que a morte nos separe”, e foi o que aconteceu, não tinha como a CP ficar de fora da única revista especializada. Porém ao mesmo tempo estou falando com um público que quase em sua totalidade já conhece a Casa de Pedra, então é difícil pro empresário do meio investir em mídias como a Headwall. O que precisa acontecer, são empresas de fora do mercado passarem a ter interesse no mercado de escalada. Agora, porque empresas como Avon, Natura, VIVO, IBM, TIM, NIVEA, NESTLE, etc teriam enteresse sobre nós escaladores?

Se você descobrir a resposta, corra na agência de publicidade que detém as contas destas empresas e desvende o mistério.

Wilo – Vi que você gosta de praticar montanhismo de altitude também, o que você pensa do uso de oxigênio suplementar?

Alê – Como disse em minhas respostas anteriores, cada um tem seus próprios motivos para praticar o montanhismo. Eu particularmente tenho o sonho de escalar um 8mil e quero voltar são e salvo para minha mulher e filha, e com certeza no momento que as coisas estiverem pretas vou usar oxigênio. Cara eu vou com recursos próprios, escalo com amigos, por puro prazer, realização, e superação pessoal. Eu não tenho tempo nem dinheiro pra ficar voltando ao Nepal ou Tibet todos os anos pra tentar dezenas de vezes a mesma montanha, só pra dizer que escalei sem oxigênio.

Sou fã da Ana Elisa Buscarioli que, assumidamente, no ano passado foi para o Nepal, pagou pra uma grande empresa suprí-la da melhor estrutura possível, e tornou-se a primeira brasileira a escalar o Everest. Ela foi lá e fez sem dar a mínima bola pra comentários maldosos. Não quero dizer com isso que sou a favor da crescente exploração comercial das montanhas, mas sim que cada um escolhe seu caminho.

Wilo – Deixe sua mensagem, ou fale o que quiser, para nossos leitores, apaixonados por montanhas como nós.

Alê – Uma vez escrevi numa coluna, não me lembro onde, que resume um pouco um ponto triste da escalada: “As vezes tenho a impressão que a primeira lição que o escalador aprende é falar mal do próximo”.

São diversos grupinhos, seja de academias, clubes, estados, points de escalada e por aí vai, que muitas vezes mal conhecem a realidade fora de seu próprio gueto, mas que ao invés de somar esforços para que o esporte cresça, perdem mais tempo fazendo críticas aos outros e achando defeitos. Se todo o esforço e paixão de cada um de nós fosse canalizado na mesma direção, a escalada no Brasil já teria atingido patamares muito mais altos, de performance e organização. Pensem a respeito e boas escaladas.

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SILVERIO NERY

Wilo – Conte-nos um pouco sobre o nascimento da Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo, sua missão, seus anseios na direção desta entidade

Silverio – Desde 1999 eu vinha acompanhando o fórum Interclubes no Rio que acabou resultando na fundação da FEMERJ. Vale lembrar que se não fosse pelas listas de discussão na internet, nada disso teria acontecido. Houve então um evento, em meados de 2000, que provocou o início das discussões em São Paulo, que foi uma “super-grampeação” no cume do Bauzinho, para pratica de rapel. Isso revoltou os escaladores locais e resultou em discussões frenéticas pela Internet. Ao final não me lembro se os grampos chegaram a ser efetivamente colocados e retirados mais tarde ou se a comunidade local fez tanta pressão “direta” em cima do grupo de rapel que os grampos nem chegaram a ser colocados. Mas o importante foi que de um momento para o outro “caiu a ficha” para muitos montanhistas. Todos perceberam que sem uma entidade representativa não teríamos como reclamar de atitudes absurdas como aquela. E que nem sequer seríamos ouvidos em tantas outras situações em que o que vale é a palavra da Pessoa Jurídica. Na época a Monica Filipini de São José dos Campos e o Eliseu Frechou de São Bento me “convocaram” para ajudar a fundar e ser presidente do CMSM – Clube de Montanhismo da Serra da Mantiqueira. Na mesma época a Monica consultou todos os clubes, ativos ou não, formalmente constituídos ou não, de todo o Estado para um ciclo de reuniões cujo objetivo era fundar a Federação. Passamos a ter uma lista na internet aberta a todos os interessados e ativa até hoje ( FEMESP@yahoogrupos.com.br). Levamos um ano inteiro discutindo o estatuto ponto por ponto. Foi cansativo mas valeu a pena. No dia 7 de março de 2002 em uma reunião memorável numa pizzaria de São Paulo, em que por acaso reuniram-se todas as diretorias dos 3 clubes fundadores (CAP, CEU e CMSM, incluindo o Domingos Giobbi, fundador do CAP, o clube mais antigo de São Paulo), a Daniela Rossi, montanhista e advogada, deu a idéia de fundarmos ali mesmo a Federação. Ela lavrou uma Ata manuscrita, em papel de embrulho, que foi depois assinada por todos os presentes e da qual guardo original e cópia digitalizada com muito carinho. Os motivos e anseios que me levaram a aceitar o desafio de presidir a FEMESP e depois a CBME continuam valendo até hoje. O número de praticantes de Montanhismo, de uma forma bem geral, envolvendo trekking, escalada, canyoning, rapel e derivados aumentou consideravelmente nos últimos anos. O volume de praticantes traz riscos preocupantes para o meio ambiente e para os próprios montanhistas, como contaminação das nascentes de água; colocação de proteções fixas de maneira indiscriminada em paredões rochosos; fechamento de trilhas em parques públicos e em áreas particulares; proliferação de empresas e indivíduos oferecendo cursos e serviços de guia para atividades de risco sem qualquer restrição ou controle; proliferação de projetos de lei visando regulamentar nossa atividade sem qualquer critério, enfim, existe um espaço muito grande para atuação de instituições que regulamentem as atividades das pessoas em ambiente de montanha. As Federações Estaduais de Montanhismo, fundadas em anos recentes nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, todas elas oriundas dos tradicionais Clubes de Montanhismo e Excursionismo em atividade no Brasil há mais de 80 anos, estão buscando preencher gradativamente essas lacunas, às custas de um grande esforço de voluntários apaixonados pelo esporte. Eu faço parte desse grupo.

Wilo – Qual sua atuação no CBME?

Silverio – A CBME para mim é uma extensão do trabalho que já vinha realizando na FEMESP, só que em âmbito nacional. Fundamos a CBME inicialmente para ter um “chapéu” mais representativo na hora em que precisássemos conversar com um Ministério ou o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), por exemplo. Me lembro claramente do Bernardo Collares, presidente da FEMERJ, me fazendo a “proposta indecente”: “se você topar ser o presidente eu topo ser o vice!” Bom, isso foi em 2003, a CBME foi oficialmente fundada em agosto de 2004 e estamos aí até hoje. O trabalho cresceu muito e tenho muita pena de não poder me dedicar mais à ambas as entidades. Temos inúmeros trabalhos começados e não concluídos, o que me incomoda um pouco. Entretanto acho melhor fazer o possível do que não fazer nada. Às vezes fica difícil compreender a necessidade da existência e a atuação das Federações e da CBME. É um trabalho extremamente chato e burocrático, mas estou plenamente convencido da importância desse trabalho e da necessidade de estarmos bem organizados. O momento atual está exigindo uma forte atuação frente aos órgãos públicos e temos procurado fazer isso. Com o já citado aumento da prática dos esportes de aventura, ocorreu uma natural tentativa de regulamentação/intervenção por parte dos órgãos públicos. O problema é que os órgãos públicos (IBAMA, Ministérios do Meio Ambiente, do Turismo, do Esporte, etc.) consideravam que somente turistas leigos (sem conotação pejorativa, mas apenas para diferenciar esse grupo dos montanhistas) freqüentam as áreas naturais, incluindo os Parques Nacionais, e dessa forma buscavam soluções apenas para essas pessoas. Ou seja, para eles os Montanhistas simplesmente não existiam e assim o que eles vinham propondo poderia atingir (negativamente e fortemente) o montanhismo tradicional. Com a atuação das Federações e da CBME essa visão aos poucos está mudando. Alguns exemplos: Em meados de 1997 o Deputado Miro Teixeira (RJ) encaminhou um Projeto de Lei propondo a criação da figura do “Guia Obrigatório”. Se essa lei tivesse sido aprovada, para entrar em qualquer Parque Nacional hoje em dia um montanhista experiente ou um turista leigo teriam que contratar um “guia” conforme infelizmente ocorre na Chapada dos Veadeiros. Na época a FEMERJ ainda não existia, mas através de seu embrião, o Fórum Interclubes, os montanhistas do Rio conseguiram uma audiência com o deputado, explicaram a situação e nosso ponto de vista e por fim ele acabou desistindo do projeto. Infelizmente a idéia do guia obrigatório não morreu e desde então a CBME vem lutando fortemente contra isso. Vamos ver como fica agora com a criação do Instituto Chico Mendes. Um outro exemplo bastante positivo da atuação da CBME aconteceu no ano passado, quando o montanhista André Ilha conseguiu abrir um canal direto de comunicação dos montanhistas (no caso a FEMERJ) com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, através do então Deputado Carlos Minc, hoje Secretário Estadual de Meio Ambiente do RJ, um defensor das nossas causas. Diante dessa possibilidade elaboramos uma carta contendo nossas principais reivindicações. A FEMERJ então passou a liderança do processo para a CBME visando a abrangência nacional do movimento e assim a carta foi subscrita por 42 (quarenta e duas) associações de montanhismo de todo o Brasil. É importante notar que se a carta fosse assinada por alguns montanhistas provavelmente não daria em nada, mas sendo enviada por uma Confederação e acompanhada por mais 41 associações/federações, deu resultado: o IBAMA mandou organizar o I Encontro de Parques de Montanha, que ocorreu no ano passado no PNSO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos). Nesse encontro, que teve a presença de gestores de parque de todo o Brasil, pessoal do IBAMA de Brasília, do Ministério do Meio Ambiente, etc., foi possível demonstrar o quanto o montanhismo é organizado, que já freqüentávamos as áreas dos parques muitas décadas antes delas serem parques e o quanto estamos auto regulamentados. Os gestores públicos ficaram muito bem impressionados, muitos deles sequer imaginavam que “um bando de malucos” tivessem tal nível de organização. Aos poucos, com essa e outras ações os órgãos públicos estão tomando ciência da nossa existência, da nossa organização e o que é melhor, quando o assunto é montanhismo, eles começam a procurar as entidades de montanhismo, Clubes, Federações e a Confederação para ajudá-los no assunto.

Wilo – Você acredita que o montanhismo e a escalada têm um crescimento no Brasil, tanto como atividade econômica, como em número de praticantes?

Silverio – Eu creio que a atividade cresceu muito nos anos 90, mas agora passa por um período de crescimento mais modesto. Houve o aparecimento de “atividades correlatas” como o rapel e as corridas de aventura, que disputam espaço nas montanhas e paredes de escalada com os montanhistas tradicionais e consomem mais equipamentos, atraindo maior atenção dos fabricantes e revendedores.

Wilo – Você acha que os montanhistas e escaladores e escaladoras brasileiros têm atitudes conscientes durante a atividade, do ponto de vista ambiental?

Silverio – Eu diria que a maioria dos montanhistas e escaladores no Brasil tem essa atitude, embora muitos não saibam exatamente como se comportar em determinadas situações em ambiente natural. Decidir por exemplo qual o destino deve ser dado às fezes em determinados ambientes naturais pode ser meio complicado se a pessoa não tem informações suficientes sobre o assunto. E como em qualquer grupo social, também existem os “espíritos de porco” aqueles que são capazes e cortar uma árvore na base da uma via porque o tronco estava “atrapalhando” a escalada, mas eu tenho certeza de estes que são minoria. Para orientações sobre conduta ambientalmente correta em ambientes naturais recomendo a consulta ao Programa Pega Leve!, uma iniciativa do CEU – Centro Excursionista Universitário (filiado à FEMESP) com apoio do WWF (www.pegaleve.org.br).

Wilo – O mercado que se auto-intitula “de aventura” não estaria mais preocupado apenas com o lucro, ao invés de aproximar as pessoas do meio-ambiente de uma forma responsável?

Silverio – Talvez você tenha razão, embora eu acredite que os empresários que atendem ao nosso segmento na sua maioria são conscientes de suas responsabilidades quanto à conservação do meio ambiente e também quanto à prática segura das atividades, Conheço pessoalmente vários empresários do segmento, quase todos são praticantes ou ex-praticantes de alguma atividade outdoor, mas infelizmente sinto falta de um apoio financeiro mais decisivo às nossas iniciativas de conservação das áreas naturais, como o Programa Adote uma Montanha da CBME e também na escalada esportiva, onde vivemos mendigando patrocínios para campeonatos, apesar do seu ótimo nível técnico e de termos conseguido boa divulgação na mídia, inclusive na televisão aberta.

Wilo – Conte-nos um pouco dos planos futuros, como a FEMESP quer ver o montanhismo e a escalada em 5 anos ou 10 anos?

Silverio – O ideal seria mais ou menos o seguinte (isso vale tanto para a FEMESP quanto para a CBME): Que na área de competições a escalada atingisse o mesmo nível do skate, com campeonatos recheados de bons patrocínios e boa divulgação na mídia em geral. Seria a consolidação de um nicho de público/mercado que no momento ainda é incipiente. Que no montanhismo tradicional atingíssemos um nível semelhante ao da Europa, em que a formação dos montanhistas, desde o básico até o guia de montanha é regulamentada pelas Federações Nacionais, encabeçadas pela UIAA, com reconhecimento governamental e público para cursos e currículos definidos pelas Federações. E que na área de conservação ambiental os montanhistas fossem considerados os consultores/parceiros preferenciais em projetos para ambientes de montanha e que a visitação dessas áreas fosse gerenciada de modo inteligente, de acordo com práticas modernas adotadas em diversos países, mantendo-se abertas para a prática do montanhismo e da escalada.

Wilo – Para ser membro da FEMESP é necessário ser pessoa jurídica, isto não limita a participação da comunidade escaladora na entidade? Qual a participação possível no âmbito individual, na Federação?

Silverio – Pela legislação civil brasileira é necessário que seja mais ou menos dessa forma, pois não seria adequado, dentro da Federação, dar o mesmo poder de voto a uma pessoa física e a uma pessoa jurídica, que normalmente representa um grupo de pessoas físicas. Além disso, no caso da FEMESP, num primeiro momento julgamos importante reforçar o papel dos Clubes nessa pirâmide. Eu creio que tivemos bons resultados, com o crescimento dos tradicionais CAP e CEU e com o aparecimento do CMSM, APEE e GPM. Estamos agora mesmo estudando uma alteração nessa regra para, dentro de pouco tempo, permitir o ingresso de pessoas físicas diretamente na FEMESP. Entendo que essas pessoas deverão comprovar determinadas habilidades em montanhismo e, pelo exposto acima, não deverão ter direito à voto, mas isso ainda não está fechado. Por enquanto o que recomendamos para quem quiser participar da Federação é que procure um dos cinco clubes filiados acima e se associe àquele que melhor atender às suas expectativas.

Wilo – Como fica a questão da homologação, já que muitos montanhistas têm cursos no exterior, horas de experiência como guias, cursos no Brasil, porém não têm certificação oficial justamente porque até hoje não existiu tal instrumento. O que estes montanhistas devem fazer?

Silverio – O interessante em processos de homologação é que eles não sejam obrigatórios, pois assim o que vale é a credibilidade “real” do sistema e não uma imposição legal qualquer. A homologação FEMESP ou CBME deverá ser voluntária e o “selo” será tanto mais importante e desejável quanto mais conseguirmos manter elevado o nível técnico e a lisura do sistema de homologação. Entretanto criar e manter um sistema de homologação baseado apenas em trabalho voluntário está no limite máximo das nossas possibilidades. Sem apoio financeiro é praticamente impossível criar e manter um sistema desses a nível nacional. Infelizmente não tenho uma resposta objetiva para oferecer aos montanhistas que desejam uma homologação pela CBME a curto prazo. Sinto muito, mas somos poucos e o trabalho nessa direção é imenso. Temos muitas idéias na cabeça, algumas ações bem adiantadas e quem puder ajudar será muito bem vindo! A FEMESP lançou recentemente um selo de qualidade para montanhistas que passarem pelo CIM – Curso de Iniciação ao Montanhismo, dentro de padrões de currículo e registros definidos em normas internas da Federação e adotados pelos Clubes filiados. Nossa idéia foi atingir primeiro a base da pirâmide, estabelecendo um padrão de referência mínimo para aquelas pessoas que desejam ser chamadas de Montanhistas. Na outra ponta do espectro temos a AGUIPERJ, no Rio de Janeiro, filiada à FEMERJ e à CBME, oferecendo cursos e titulação para Guias Profissionais de Escalada. E no “meio” temos vários cursos de clubes e também os particulares. O que precisamos agora é juntar tudo isso e criar um padrão nacional. Creio que esse é o trabalho mais pesado que a CBME tem pela frente.

Wilo – A linha educacional de formação, usada no resto do mundo, principalmente nos moldes da UIAA, e que é a que a FEMESP abraça para a formação de montanhistas no Brasil, é certamente a mais segura, tanto nos aspectos da atividade em si, quanto na conscientização e capacitação, porém, é visível ainda uma postura meramente da busca da “adrenalina” e do “esporte radical” nos picos de escalada, por boa parte dos frequentadores. O Sr. considera a escalada esportiva, ou mesmo o montanhismo, atividades “radicais”? Não seriam “tradicionais” (já que existem há centenas ou milhares de anos)?

Silverio – O grande desafio para o Montanhismo tradicional no mundo inteiro hoje em dia é preservar suas raízes românticas, aliando a profunda reverência à Natureza e a adoção de valores naturalistas, ao estilo do Henry D. Thoreau e John Muir, com a “desesperada” busca por emoções fortes e imediatas associada aos esportes ditos “radicais”. Hoje em dia muitos escaladores, talvez a maioria deles, se iniciam no esporte através da escalada esportiva e infelizmente a tendência natural dessa modalidade é enxergar a rocha (e por extensão a montanha) apenas como um obstáculo a ser vencido e nada mais. Para mim isso reforça a importância da atuação das Federações junto a todos os montanhistas e escaladores, sejam eles “tradicionais” ou “esportivos”, procurando preservar, registrar e divulgar a história do montanhismo, deixando sempre aberta uma “janela” que possibilite aos interessados conhecer nossas origens e procurando sensibilizar os novatos para essa visão mais tradicional. Não gosto da palavra “radical”. Entretanto ela está sendo adotada pelo Ministério do Esporte para definir as modalidades praticadas em ambientes controlados, como ginásios e muros de escalada, são os Esportes Radicais. Ao mesmo tempo, para as atividades praticadas em ambientes naturais foi adotado o termo Esporte de Aventura. Creio que vamos ter que nos render. 🙂

Wilo – Já existem parcerias com entidades dos outros países próximos ao Brasil, sobretudo os Andinos?

Silverio – A CBME é filiada à UIAA desde 2006. Este ano a UIAA se dividiu em duas entidades, uma delas voltada exclusivamente para competições, a IFSC (International Federation for Sport Climbing), cujo principal objetivo é levar a escalada para os jogos olímpicos. Também estamos filiados à ela. Na América Latina temos bons contatos na Argentina, Peru, Chile e Bolívia. Na escalada esportiva temos fluxo constante de informações com a UPAME, entidade filiada à IFSC que congrega todos os países latino
americanos. Temos também bons contatos com a Federação Venezuelana, que lidera a UPAME. Seria relativamente simples concretizar parcerias, visando por exemplo cursos de alta montanha ou de route-setters (montadores de vias). Mas, outra vez, carecemos principalmente de mão-de-obra voluntária para cuidar desse assunto.

Wilo – No futuro, quando a certificação e homologação dos montanhistas no Brasil for totalmente viável, ela valerá para os demais países da América Latina? Um guia brasileiro guiará nos Andes? Ou mesmo no exterior?

Silverio – O problema é que no Brasil não temos neve, o que dificulta um pouco essa total transparência. Entretanto essa dificuldade pode der contornada através de convênios que permitam ao guia brasileiro complementar sua formação nos Andes (Argentina, Peru, Chile ou Bolívia) ou até mesmo na Europa ou EUA. Vejo isso como uma alternativa bastante viável que permitiria a homologação de um guia brasileiro valer em qualquer país do mundo. Por outro lado a UIAA está estudando a criação de um padrão de formação para Guias de Montanhas Tropicais e talvez essa seja a uma boa alternativa para o Brasil e para outros países com condições geográficas semelhantes à nossa.

Wilo – Aproveite para chamar os interessados em colaborar com os programas e ações da CBME e FEMESP, e demais entidades em prol das montanhas.

Silverio – Já “chorei” um pouco nesse sentido em algumas respostas anteriores. Para entrar em contato com a FEMESP ou com a CBME coloco à disposição meu e-mail (silverio@webcable.com.br). Abaixo segue uma relação completa das Federações, Clubes e associações filiadas à CBME, basta escolher a que estiver mais próxima. E por fim, meu apelo é o seguinte: Faça com que o montanhismo seja do jeito que você quer. Participe!

RELAÇÃO DE ENTIDADES REGULARMENTE FILIADAS À CBME EM MARÇO DE 2007

1. Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro –
FEMERJ (www.femerj.org).

Entidades filiadas à FEMERJ:
a) CENTRO EXCURSIONISTA BRASILEIRO – CEB (www.ceb.org.br).
b) CENTRO EXCURSIONISTA FRIBURGUENSE – CEF (www.cef.org.br).
c) CENTRO EXCURSIONISTA RIO DE JANEIRO – CERJ ( http://www.cerj.org.br).
d) CLUBE EXCURSIONISTA CARIOCA – CEC (www.carioca.org.br).
e) CLUBE EXCURSIONISTA LIGHT – CEL ( http://www.celight.org.br).
f) CENTRO EXCURSIONISTA PETROPOLITANO – CEP (www.compuland.com.br/cepetro).
g) CENTRO EXCURSIONISTA GUANABARA – CEG ( http://www.guanabara.org.br).
h) GRUPO EXCURSIONISTA AGULHAS NEGRAS – GEAN (www.grupogean.hpg.com.br).
i) CENTRO EXCURSIONISTA TERESOPOLITANO – CET (cet.qualidadedevida@zipmail.com.br).
j) ASSOCIAÇÃO DE GUIAS, INSTRUTORES E PROFISSIONAIS DE ESCALADA DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO – AGUIPERJ (www.aguiperj.hpg.ig.com.br).
k) CLUBE NITEROIENSE DE MONTANHISMO – CNM (www.cnmrj.hpg.com.br &
http://www.montanha.bio.br/cnm/).

2. Federação Montanhismo do Estado de São Paulo – FEMESP (www.femesp.org).
Entidades filiadas à FEMESP:
a) CLUBE DE MONTANHISMO SERRA DA MANTIQUEIRA – CMSM (www.cmsm.org.br).
b) CENTRO EXCURSIONISTA UNIVERSITÁRIO – CEU (www.ceubrasil.org.br ).
c) CLUBE ALPINO PAULISTA – CAP (www.montanhismo.org.br).
d) ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE ESCALADA ESPORTIVA – APEE (www.apee.com.br ).
e) GRUPO PAULISTA DE MONTANHISMO – GPM (www.gpm.org.br).

3. Federação Paranaense de Montanhismo – FEPAM (www.fepam.org).
Entidades filiadas à FEPAM:
a) CLUBE PARANAENSE DE MONTANHISMO – CPM (www.cpmorg.com.br).
b) ASSOCIAÇÃO DE ESCALADA ESPORTIVA DO PARANÁ – AEEP
(www.aeeppr.hpg.ig.com.br ).
c) ASSOCIAÇÃO MONTANHISTAS DE CRISTO – AMC
(www.montanhistasdecristo.hpg.ig.com.br).
d) ASSOCIAÇÃO DE CONDUTORES MARUMBI ( http://www.aguiasmarumbi.org.br).
e) CLUBE OESTE PARANAENSE DE MONTANHISMO – COPAM (www.copam.org.br).
f) CLUBE DE MONTANHA NORTE PARANAENSE – CMNP.
g) ASSOCIAÇÃO NAS NUVENS MONTANHISMO ( http://www.nasnuvensmontanhismo.com.br).
h) ASSOCIAÇÃO CAIGUAVA DE PESQUISAS – ACP.

4. Federação Gaúcha de Montanhismo – FGM (www.fgm.org.br ).

Entidades filiadas à FGM:
a) ASSOCIAÇÃO CAXIENSE DE MONTANHISMO – ACM (www.acm-rs.org.br).
b) ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE MONTANHISMO – AGM ( http://www.agmontanhismo.org).
c) ASSOCIAÇÃO PORTO-ALEGRENSE DE ESCALADA CANHONISMO E ALTA MONTANHA –
APECAM (www.apecam.com.br).

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CHRIS BONINGTON

Para quem não conhece este senhor montanhista, hoje no auge de seus 73 anos e escalando mais que muitos jovens, Sir Chris Bonington é uma lenda viva do mundo das montanhas.

Exagero? Fatos: Começou escalar nos Alpes em meados dos anos 50. Em 1958, mandou a primeira ascenção inglesa da Face Sul do Pilar Oeste dos Drus, França. Em seguida, mandou uma via — com os colegas Don Whillans, Ian Clough e o polonês, Jan Dlugosz — considerada uma grande clássica da região do Mont Blanc: O Pilar Central do Freney em 1961. Mais? A primeira ascenção inglêsa da Face Norte do Eiger, considerada até hoje uma das escaladas mais difíceis dos Alpes.

Entre sua extensa biografia (em inglês no seu site) talvez a escalada mais impressionante, que virou um épico na literatura do montanhismo, tenha sido a escalada do Ogre, no Karakoram. No episódio, Chris e seu parceiro Doug Scott, sofreram uma queda após começar sua descida do cume. Doug quebrou as duas pernas e Chris quebrou uma costela. O acidente aconteceu a cerca de 6 mil metros de altitude, em uma parede de extrema dificuldade. Ajudados por outro time, levaram 6 dias para descer, com Doug se arrastando pelos joelhos, e ambos sem comida. Ao chegar ao campo base, descobriram que seu time havia partido, acreditando que eles estavam desaparecidos na montanha e não voltariam.

Veterano do Everest, Sir Bonington nos concedeu a honra de uma entrevista via email, respondendo prontamente, e talvez, com um pouco mais de palavras que nosso último entrevistado, porém não menos relevante para a história do montanhismo mundial, Messner. Confira:

Wilo – Sua primeira ascenção no Pilar Central do Freney, na face sul do Mont Blanc em 1961 é até hoje considerada uma clássica. Na época, o senhor tinha idéia de tal conquista ou estava apenas partindo nesta empreitada pelo prazer de escalar?

Bonington – Nós sabíamos que seria um grande desafio por causa das tentativas anteriores e a tragédia com Bonatti e Mazeaud durante a tentativa deles. Estávamos atraídos pela magnitude do desafio e a beleza da linha. Certamente ultrapassou minhas expectavias – vejam meu capítulo em “I Chose to Climb” (Eu escolhi escalar).

Wilo – Como montanhistas nós precisamos, e amamos, o ambiente das montanhas e seu entorno natural para escalar, mas atualmente o aquecimento global tornou-se um assunto preocupante. Como o senhor trabalha pela conservação e preservação destas áreas no mundo, considerando seus conhecimentos e seu reconhecimento perante a comunidade montanhista?

Bonington – Tudo o que podemos fazer é nos comportarmos da maneira mais amigável, ambientalmente falando, e apoiar esforços de nossos Clubes de Montanhas e entidades para pressionar os governos.

Wilo – Como o senhor vê o problema do lixo nas altas montanhas, como no Everest? As expedições costumam deixar grandes quantidades de lixo na montanha, mas isto parece não vir à tona na mídia ou nas publicações especializadas

Bonington – Eu fui o último no Campo Base do Everest em 1993 e fiquei bastante impressionado com o fato de haver muito pouco lixo lá. Acredito que as expedições comerciais vêm trabalhando duro para não deixar lixo.

Wilo – Conte um pouco mais sobre suas palestras motivacionais e sua livraria

Bonington – Uso minhas expedições ao Everest como modelo para falar sobre liderança e trabalho em equipe. Todos meus livros estão publicados em minha livraria, no meu website.

Wilo – Deixe sua mensagem para os mais jovens, que também pretendem se iniciar na bela arte do montanhismo e da escalada

Bonington – Se você sonha em ir escalar, vá adiante e faça acontecer. Tudo que você precisa é aprender o básico com amigos ou em um curso e então escalar com seus parceiros, compartilhando a liderança. Sua vida de escalada deve ser uma progressão no aprendizado de como escalar rocha, depois para pequenos picos nevados, e então partir para as maiores montanhas. Boa sorte.

Entrevista original, em inglês, abaixo:

– The first ascent of the Central Pillar of Freney on the south side of Mont Blanc in 1961 still being considered a classical until today. At the time, you had the idea of such achievement or you were just climbing for the pleasure of it?

We knew it was going to be a great challenge because of all the previous attempts and the tragedy of Bpnatti and Mazeaud’s attempt. We were attracted by the scale of the challenge and the beauty of the line. It certainly lived up to expectations – see my chapter in “I Chose to Climb”.

– As mountaineers we need, and love, the mountains environment and nature for climbing, but nowadays the global warming is a preoccupying subject. How do you work for the conservation or preservation of these areas around the globe, considering your knowledges and recognition before the climbing community?

All we can do is behave in as environmentally friendly way as we can and support efforts by our Clubs and governing bodies to influence government.

– How do you see the problem of garbage in the highest mountains, such as Everest? The expeditions are leaving great amount of garbage at the mountain, but this never seems to come out in the media or specialized publications of mountaineering

I was last at the Everest Base Camp in 1993 and was very impressed by how little rubbish there was. I think the commercial expeditions work hard to clear their rubbish.

– I know that your climb at The Ogre was very hard and unforgetable, becoming one of the biggest epics ever. Tell us a little more about your experience and your thoughts at the time

It’s all in my book “The Everest Years”.

– Tell us a little bit more about your motivational presentations and your Bookstore

I use my Everest expeditions as a model for talking about leadership and team work. I have all my books that are in print on my bookstore on my web site.

– Leave a message to the younger ones, who also wants to start at the beautiful art of mountaineering and climbing

If you dream of going climbing, go for it and make it happen. All you need to do is learn the basics from a friend on on a course and then climb with your peers, sharing the lead. Your climbing life should be a steady progression of learning to climb on rock, then going to the smaller snow peaks and then the bigger ones. Good luck.

Hope that’s useful

Chris

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REINHOLD MESSNER

Entramos em contato via email no dia 2 de fevereiro de 2007 com o escritório do senhor Reinhold Messner solicitando uma entrevista para o portal Wilo Montanhas. Alguns dias depois chega a resposta: “O Sr. Messner concorda, desde que não sejam muitas perguntas, pois é uma pessoa muito ocupada”, assinada pela sua secretária, a senhora Ruth Ennemoser. O primeiro passo estava dado. Passaram-se longos 45 dias até que recebemos no email do Wilo Montanhas as respostas, escritas à mão e escaneadas, da lenda viva das montanhas, o primeiro homem a escalar todas as 14 montanhas acima dos 8 mil metros sem oxigênio suplementar e a quebrar barreiras nunca antes transpostas em Estilo Alpino.

As respostas do tirolês Messner, apesar de curtas, refletem sua personalidade e sua vida dedicada às montanhas. Eurodeputado pelo partido Verde alemão, tem um museu com seu nome – o Messner Mountain Museum – e na bagagem façanhas até hoje não repetidas, como escalar a parede Rupal do Nanga Parbat sozinho, escalar e fazer a travessia entre os “ochomiles” Gasherbrum I e II e ter sido o primeiro homem a pisar no topo do Everest sem uso de oxigênio suplementar.

Nem só de glórias sua vida foi marcada. Em uma de suas expedições ao Nanga Parbat, perdeu o irmão, Günther, em uma avalanche e foi acusado de abandoná-lo à morte. Ao invés de discutir apenas, para rebater as acusações, Messner agiu, voltando inúmeras vezes à montanha, ano após ano, para procurar o corpo do irmão nunca encontrado.

Na biografia de Messner existem histórias que beiram o folclore, como afirmações de que sua personalidade teria mudado devido à exposição constante às condições extremas de altitude, que teriam causado danos cerebrais ao montanhista. A verdade é que como o nosso rei do futebol, Pelé, ninguém conseguiu até hoje superar seus feitos. Assim como muitos criticam sua vida e sua personalidade, seja por inveja, seja por causa própria ou convicção. Altivo ou não, monossilábico ou não, inacessível, esnobe, ou apenas reservado, Reinhold Messner se deu ao trabalho de responder, à mão, nossas breves quatro perguntas. Leia abaixo.

Wilo – O senhor é visto no mundo todo como um escalador “top”, uma lenda, que inovou muitas técnicas de escalada e o estilo alpino. Estas percepções da comunidade escaladora mundial trazem grandes responsabilidades a você, como um modelo para os iniciantes e os experientes. O senhor trabalha para a educação e a conscientização desta comunidade escaladora mundial e como?

Messner – É no MMM (Messner Mountain Museum) que deixo meu legado para todos os escaladores do mundo.

Wilo – O senhor vê alguma esperança para os glaciares de montanhas e as capas de gelo com o aumento dos efeitos do aquecimento global?

Messner – Os glaciares em breve desaparecerão. O gelo dos pólos (Antártica e Antártida) devem durar um pouco mais, mas é uma pena!

Wilo – Como você se vê como escalador? Racional? Passional? Ambos?

Messner – Um apaixonado pelos limites. É a força motriz em minha vida.

Wilo – Deixe uma mensagem para aqueles que querem começar na bela arte do montanhismo

Messner – “Kalipe”, do tibetano: “Vá passo a passo”.

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CARLOS VAGELER

O Wilo Montanhas entrevistou Carlos Vageler, com um vasto currículo de atuação na área de esportes de aventura e montanhismo, formado em Educação Física, especializado em fisiologia esportiva e esportes de aventura, Carlão também é formado como guia de excursão pela Embratur, criou e lecionou a disciplina curricular “Desportos Não Formais – Montanhismo e Náutica” na Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista, participou da Expedição Remar até o Mar, de canoa por 3.300 km de Rios entre Campinas, SP a Buenos Aires, e Argentina e já fez inúmeras escaladas e conquistas no Brasil e exterior, além de ser membro do Centro Excursionista Brasileiro (CEB). Se não bastasse, Carlão ainda encontra tempo para sua coluna na revista eletrônica 360graus e trabalha com produção e edição literária, filmes de esportes e aventura e pesquisa na área esportiva. Com esse curriculo, Carlos Vageler certamente tem algo a nos ensinar.

Wilo – Em um de seus artigos você explica de forma bastante técnica o que acontece no sangue e no organismo de uma pessoa que escala em alta montanha. Porém para o público leigo, há a idéia de que “falta oxigênio” em grandes altitudes. Esse raciocínio está correto?

Carlos – A idéia de faltar oxigênio não está correta se levado em conta que a quantidade total de Oxigênio que entra no organismo seria suficiente para manter o indivíduo em condições normais. A questão é a Pressão Parcial*, que este oxigênio exerce na parede dos alvéolos pulmonares, que tem a função de absorvê-los, que é insuficiente para que se aproveite de forma correta a quantidade presente de O2 em grandes altitudes. É por esta razão que o ritmo respiratório em alta montanha se eleva bastante, significando que o organismo está tentando compensar esta falta de pressão ideal de absorção.

O que falta na verdade é pressão. Basta lembrar que ao nível do mar, ao respirar, aproveitamos apenas aprox. 4% do oxigênio contido no ar, dos 14,5 existentes, sendo isso suficiente para a manutenção da vida. Na altitude elevada existe menos oxigênio comparado ao mesmo volume numa altitude mais baixa, isso é, menos pressão, mas nosso organismo se adapta parcialmente a isso, uns mais outros menos, causando uma série de reações indesejadas. A quantidade de O2 relativa aos outros gases é praticamente igual em toda a Biosfera (fina camada onde se mantém a vida no Planeta Terra).

(*) Pressão Parcial- cada gás presente no ar que respiramos exerce uma pressão diferente em nossos pulmões. Oxigênio- 103 mm Hg, Dióxido de carbono- 39 mm Hg, Nitrogênio- 571 mm Hg , outros em pequena quantidade e vapor d’água.

Wilo – Você também cita o fator psicológico durante uma escalada em alta montanha. Explique isso melhor.

Carlos – Na preparação para a subida de uma alta montanha levamos em consideração vários fatores, entre eles os equipamentos, saúde, preparação física, logística de transporte, hospedagem, etc. Mesmo todos estes itens acima estando 100%, temos um fator que não pode ser previsto, principalmente um iniciante; a reação a altitude, como será minha aclimatação. Este fator não é previsível, causando surpresas até para os mais experientes montanhistas. Subo hoje a 7.000 metros e depois de 3 meses não consigo chegar a 5 mil.

O fator psicológico é importante à medida que sabemos o que nos espera, o que pode acontecer, que reações fisiológicas posso enfrentar. Neste ponto a experiência pode ser decisiva. A psicologia entra na fase de preparação para a escalada, superando a ansiedade, um dos maiores inimigos para um escalador, mentalizando as etapas da subida, estratégia de aclimatação e possíveis imprevistos. Gerar expectativas falsas para uma escalada de grande porte não é algo salutar. Muitos acidentes ocorrem por esta razão. A psicologia ajuda a achar seus limites. Da mesma forma que, num determinado momento é a mente que lhe coloca no topo, é ela mesmo que faz você recuar num momento decisivo.

Wilo – No artigo sobre o futuro das causas ambientais podemos perceber algumas indagações comuns quando o assunto é a forma da aproximação das pessoas ao meio ambiente para a prática de esportes de aventura. De um lado falta de atuação política, de outro a falta de educação dos “aventureiros” perante o espaço natural. Você acredita que uma mudança pode ocorrer de que forma?

Carlos – Uma coisa é certa, não é por falta de informação que as pessoas hoje em dia, se comportam de maneira inadequada. Você liga a televisão, lê jornais, escuta uma rádio, vê outdoors e recebemos informações do que é mais adequado para um meio ambiente mais saudável. O que ocorre é um problema cultural e também de medida de conseqüências, de boa parcela da população.

As pessoas só passam a se preocupar com o meio ambiente natural quando algo lhes acontece pessoalmente, quer dizer, sofrem conseqüências diretamente de algum descuido ambiental, seja por uma contaminação por pesticidas, a falta de um produto devido sua escassez e assim por diante. A consciência verdadeira também é alcançada sem estes trágicos acontecimentos, mas em menor escala. No caso dos esportes de aventura e seus praticantes vejo que o principal é a falta de vontade política, mas causada pela falta de cobrança dos próprios interessados, os seus praticantes.

Temos hoje Parques e áreas naturais onde a principal atuação dos órgãos responsáveis é a proibição da entrada de esportistas e turistas por falta de infra-estrutura e capacidade do pessoal, enquanto se proliferam caçadores, gado, incêndio e desmatamento em seu interior. A fiscalização e punição de infratores é o que se mostra mais eficiente em todo o mundo.

Wilo – E as entidades de montanha e escalada ou de preservação ambiental? Como você enxerga esta atuação setorial?

Carlos – Ela poderia ser mais efetiva, pois muitas se tornaram essencialmente políticas. Como na resposta anterior, digo que é muito fácil se discutir quem ou como um turista/esportista pode ou não entrar em um Parque ou reserva, criar cartilhas, etc, que, aliás, é importante, mas devemos atentar para o fato de que não é isso que causa o maior impacto, e sim outros fatores como citado acima. Um exemplo é o Parque da Serra do Cipó, MG. Todo ano o Parque pega fogo, há uma brigada de incêndio, há gado solto e sabem quem o coloca. Outra coisa são as indenizações que não são pagas e criam mais problemas ainda.

A participação das entidades e Ongs nesta questão é fundamental. A descentralização da administração das Unidades de conservação pode ser uma boa saída para a melhora na qualidade de aproveitamento das mesmas. O dinheiro que entra fica na própria unidade, sendo que a mesma participa de um fundo para Unidades em implantação ou com visitação restrita. Com esta independência, os valores cobrados poderiam variar. Mais infra-estrutura, mais se paga.

Wilo – A “aventura”, que sempre foi em essência oposta ao conhecido, ao consumível, ao seguro e ao previsível, é vendida hoje como um pacote. De outro lado existe a nobre (e pouco valorizada no país) profissão de guia, seja de montanha, trilhas ou demais práticas esportivas que envolvem riscos. Como você enxerga este paradoxo entre o mercado de consumo e a prática da verdadeira aventura, que pressupõe o desconhecido e a criatividade?

Carlos – Essa é uma questão puramente mercadológica, pois estamos falando essencialmente de atividades esportivas e de lazer, a maioria absoluta existente antes da criação do termo. Passa um pouco pela questão da moda, do consumível. Sendo assim, depois de criado este mercado, não há mais volta.

Se quisermos dividir, podemos especular aqueles que compram este pacote por impulso, para “ver como é” e depois nunca mais repeti-lo. Temos aqueles que se envolvem com isso, depois de uma experiência mais “comercial” e se tornam grandes esportistas de escalada, Rafting, etc. Acabou-se em muito o purismo, o legítimo “aventureiro” que por “engano” caiu nas garras do desconhecido e se apaixonou. Temos ainda os clubes de montanha, principalmente no Rio de Janeiro, que ainda trazem a luz esta concepção mais romântica, os grandes guias, as grandes conquistas, mas a maior parte está nos arquivos. O desconhecido hoje, em sua maioria, é a releitura do passado, do descobrimento. Creio que a verdadeira aventura de hoje é a do conhecimento, da preservação daquilo que ainda existe.

Wilo – Qual sua percepção do mercado de aventura, do turismo de aventura, e seus segmentos econômicos relacionados (fabricantes de equipamentos, escolas de guias, federações, etc.)? Você vê um crescimento global ou parcial? Ou nenhum crescimento?

Carlos – Esta questão daria uma palestra, não é uma análise simples, pois como qualquer outro mercado, ela sofre oscilações, às vezes bastante drástica. Temos o Velho Mundo, a Europa, que tradicionalmente oferece atividades como o Alpinismo, Caminhadas e uma grande variedade de esportes de aventura, muitas vezes sem fazer distinção com as demais atividades esportivas, pois se trata do berço de muitos destes.

Na década de 90 houve um aumento generalizado da oferta e atividades e aventura no mundo, inclusive em tradicionais pontos de turismo histórico cultural, como recentemente vi na Grécia. No Brasil isso não foi diferente, houve um crescimento enorme, principalmente depois da liberação das Importações, também no início dos anos 90. No Brasil o crescimento ficou mais lento, principalmente a partir de 2003, ou quase estagnado em alguns setores relacionados à aventura. No caso do turismo, devido à natureza da atividade, são poucas as que sobrevivem apenas de aventura.

A essência da atividade é a liberdade. Como operador de turismo durante 10 anos percebi o seguinte fato: Um indivíduo fazia alguns roteiros com a operadora e depois de conseguir certa experiência, fazia por conta. Você não vê isso com o turismo convencional, devido a natureza da atividade, tipo de público e custo final da operação. No turismo de aventura o custo de operação e preço final ao cliente é maior do que se o mesmo fizer sozinho. No convencional, ao contrário. Um pacote de uma semana para o Recife completo, por exemplo, fica mais barato do que você comprar somente a passagem aérea avulsa.

Outra questão, bastante polêmica, que a meu ver, causa estagnação em todos os segmentos de aventura, é a desorganização e falta de políticas adequadas de visitação aos Parques Nacionais e Estaduais no país. Falta de infra-estrutura, mapas de acesso a trilhas, campings organizados, informações, obrigatoriedade e valores cobrados pelos “guias” regionais, proibições sem justificativa, entre outros. Pois não podemos esquecer que as Unidades de Conservação chamadas de “Parques” tem a função de recepção ao turismo como principal ponto que as diferencia dos outros tipos. A falta de recurso para os mesmos pode ser sanada com esta organização. Quanto mais opções dentro de um parque, maior sua visitação, desde que controlada, e que beneficiará toda a cadeia econômica ligada à mesma, sem distinção.

O mercado de produtos para a prática de atividades e aventura sofre diretamente com os exemplos acima citados e também pela divulgação maior ou menor pela mídia. Quanto maior a exposição temos o aumento das vendas, principalmente para os chamados “aventureiros de Boutique”.

Wilo – Qual sua mensagem para quem quer começar no montanhismo?

Carlos – Não tenha medo de criar, observar e arriscar os primeiros passos. Procure alguém que realmente possa lhe mostrar a essência da atividade, esporte ou, como gosto de chamar, filosofia de vida.

Carlos Vageler
carlos@360graus.com.br
Crédito da foto: www.remar.com.br

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RODRIGO RAINERI

O Wilo Montanhas entrevistou Rodrigo Raineri, montanhista brasileiro que leva na bagagem conquistas como a 1ª ascensão brasileira da Face Sul do Aconcágua, junto com Vitor Negrete (amigo de escaladas e aventuras), subidas em solitário nos Andes bolivianos, participação em aberturas de vias clássicas no Estado de São Paulo (como a “Selivié”, um dos primeiros oitavos esportivos no país), e das últimas investidas amplamente noticiadas pela mídia nacional ao Everest, montanha mais alta do mundo, com Vitor Negrete. Conheça um pouco mais sobre este montanhista e empresário, sócio-proprietário da GradeVI – Cia. de Aventuras. De conversa tranqüila e poucas palavras, Rodrigo Raineri nos conta um pouco mais sobre sua vida dedicada às montanhas.

Wilo – Vamos do início, o nascimento da sua relação com o montanhismo

Rodrigo – Durante a infância morei na zona rural em Ibitinga e em 1986 fui pela primeira vez às cavernas do Petar. Sempre gostei de viver minha vida de uma maneira um pouco diferente da tradicional. Considero minha primeira escalada a do pico das Agulhas Negras, em 1988. Depois disso, fundei o Grupo Excursionista GAIA, e com os membros do Gaia construí o muro de escalada esportiva da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Em 1991, fiz um curso avançado de escalada com o Makoto (Luiz Makoto Ishibe, outro nome de peso do montanhismo nacional) e fiz um curso de escalada em gelo em Bariloche e fui pela primeira vez ao Aconcágua em janeiro de 1993. Neste mesmo ano escalei o Mont Blanc ( 4.808m na fronteira da França com Itália, montanha mais alta na Europa ocidental) e viajei bastante pela Europa. Voltei decidido a deixar a carreira de engenheiro de computação e que queria viver minha vida como alpinista e empresário.
Em 1994, junto com o Guilherme Silva, fundei a Grade VI.

Wilo – Conte um pouco sobre o Aconcágua

Rodrigo – Hoje já são 14 anos de escalada e trabalho no Aconcágua como guia e montanhista. Certamente a nossa escalada da Face Sul (com Vitor Negrete), que foi um projeto que começou no ano 2000, e fizemos nossa primeira investida na parede na temporada de 2000/2001 (fevereiro de 2001) mas que não teve êxito de atingir o cume, mas que serviu como um ótimo preparo para uma investida futura. Nesta primeira tentativa decidimos por não tentar a escalada da parede a qualquer custo, pois as condições estavam muito ruins, tanto pela época, como pelo aquecimento global, então decidimos mudar a estratégia. Na temporada seguinte 2001/2002 (janeiro de 2002) conquistamos esse feito (atingimos o cume dia 02/01/02), que com toda certeza foi a escalada mais difícil que já fiz, além de sermos os primeiros e únicos brasileiros a escalar a Face Sul do Aconcágua (considerada uma das mais difíceis do mundo).

Wilo – Você citou o aquecimento global. Sabemos dos problemas que ele causa para o planeta, e para as montanhas. Sua empresa, a GradeVI, procura orientar as pessoas que treina em seus cursos de montanhismo, ou mesmo nos serviços de escaladas guiadas?

Rodrigo – Sim. Passamos os valores do montanhismo, além das questões fundamentais de técnica de escalada, mas o que acontece é que não vejo as pessoas realmente preocupadas com os temas do aquecimento global ou do degelo. Acho que as pessoas só percebem algo quando são diretamente atingidas. Por exemplo, se o ar fica muito poluído, ou o dia está muito quente, aí reclamam e culpam o aquecimento global, mas no dia seguinte, já esqueceram o assunto. Nas montanhas, é visível a diminuição das quantidades de gelo.

Wilo – Novos projetos?

Rodrigo – Sim, são dois. Primeiro, ainda este ano, para a próxima temporada, pretendo ir para o 6º maior do mundo, o Cho Oyu ( 8.201m), a Deusa Turquesa, e para o ano que vem uma nova tentativa no Everest, A Deusa Mãe do Mundo, sem oxigênio*.

(*) Aqui o montanhista demonstra sua intenção de escalar a montanha sem o uso de oxigênio suplementar, já que em grandes altitudes a baixa pressão atmosférica dificulta a absorção de oxigênio pelo sangue, debilitando o organismo, e tornando a escalada extremamente difícil, fisica e psicologicamente. A baixa oxigenação do sangue causa uma série de reações negativas no corpo humano. Desde dores de cabeça, confusão mental, e em casos extremos, os fatais edemas, pulmonar e cerebral. Por outro lado, esta prática de montanhismo “limpo” sem o uso de oxigênio suplementar, é vista com bons olhos pelas entidades de montanhismo em todo o mundo, considerada justa para com a natureza. Seria algo como “se você não consegue atingir o topo com seu próprio condicionamento, então você não deve tentar subir”.

(Crédito I Foto: www.everest2006.com.br)

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ELISEU FRECHOU

Entrevistamos um dos personagens relevantes do montanhismo brasileiro, com experiências em inúmeras escaladas não só no Brasil, mas também no mundo. Eliseu Frechou é inegavelmente uma figura que representa compromisso com as atividades de montanha e a escalada. Opiniões sólidas, conquistas de Big Walls de renome, guia e editor de um jornal que fala a língua dos escaladores, Frechou ainda tem tempo para tocar sua escola de montanhismo e escalada, a Montanhismus.

Wilo – Conte-nos um pouco sobre o jornal Mountain Voices e como este projeto nasceu.

Eliseu – Eu a Bete (esposa) criamos o Mountain Voices em 1989. Nossa proposta foi de criar um veículo de circulação nacional, com baixo custo de produção e distribuição gratuita para termos uma boa penetração. Mais que isso, desde o início nossa vontade sempre foi dar ênfase ao texto, à palavra e à escrita sobre o montanhismo. Sabemos da importância e do apelo das imagens, mas sempre enfatizamos o conteúdo. O jornal é escrito pela própria comunidade escaladora, e por nós, numa colaboração mútua.

Wilo – Você acha que o montanhismo atravessa uma fase de crescimento no país, ou que nos últimos cinco anos cresceu e continua crescendo?

Eliseu – Não. Pelo contrário. Na minha opinião os últimos cinco anos foram péssimos não só para o montanhismo e a escalada, mas também para outros esportes como o vôo livre, por exemplo. A economia está atrapalhando muito. Acredito que há uma demanda reprimida, isso sim, que representa um grande potencial de crescimento. Mas não vemos crescimento algum, inclusive muitos importadores fecharam ou estão fechando suas portas, pois os impostos absurdos cobrados sobre a importação dos equipamentos está acabando com estas pequenas empresas, e isto é só um exemplo.

Wilo – E a abordagem da mídia?

Eliseu – A abordagem da mídia é como uma balança. Quando o esporte (no caso da escalada e do montanhismo) está em alta ou crescendo muito, a atenção da mídia diminui, pois se torna algo comum e perde-se o interesse. Quando o esporte está em baixa, o interesse da mídia aumenta, pois aquilo se torna interessante, por ser raro, curioso, que desperta a atenção. A mídia usa muito só a imagem, mas não passa conteúdo. Voltando à questão do crescimento do montanhismo, acredito que hoje estamos num patamar equivalente ao de 15 anos atrás. Mesmo se olharmos há cinco anos atrás, a facilidade para se comprar equipamentos era maior. Desde então o dólar subiu muito e a grande massa de escaladores não tem dinheiro, como se pensa por aí. O escalador médio, que é a maioria, tem pouca grana, mas compra sempre, diferentemente daqueles que tem muito dinheiro e podem comprar todos equipamentos de uma vez, mas depois não seguem. O escalador compra pouco, mas compra sempre. Com as importações sendo taxadas nestes patamares, não vai mais ter o que se comprar, nem o que se vender.

Wilo – Existe um “censo” de montanhistas/escaladores no Brasil?

Eliseu – Acredito que entre praticantes e simpatizantes existam aproximadamente 5 mil pessoas. Um parâmetro pode ser o cadastro da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, que tem 2 mil associados. Então, se considerarmos os não cadastrados e sem esquecer da diferenciação entre praticantes (aqueles que praticam regularmente) e simpatizantes (esporádicos, finais de semana, raras participações) podemos chegar aí na estimativa de 5 mil escaladores.

Wilo – E sua escola de montanhismo?

Eliseu – A Montanhismus nasceu também em 1989. É onde as pessoas que querem aprender com profundidade sobre montanhismo e escalada em rocha podem encontrar os conhecimentos necessários para estas práticas. Além de cursos de níveis que vão do básico ao avançado, oferecemos também serviços de guia em escaladas no Brasil e no exterior.

Links de Referência
Jornal Mountain Voices
Montanhismus Escola de Escalada

13 respostas em “entrevistas

  1. Carlos, Eliseu, Rodrigo,

    A entrevista do Carlos está muito boa, ele é muito bom no tema de guia, turismo, montanhistas; as outras duas também, um conjunto de conhecimentos que passam a se articular, complementar, enfim, um universo a ser coberto muito criativo e interessante que você está montando. Parabéns.

  2. Vije!!! Quantas entidades!!! Agora você vai parar em todas elas. Se é que isto já aconteceu e eu não estou sabendo. Vou ler de novo, mas que boa esta idéia de criar uma entidade federativa para todas as entidades de montanhistas.
    PARABÉNS mais uma vez, ótima matéria.

  3. Olá,

    Meu nome é Daniele, sou jornalista e estou fazendo uma matéria sobre o fato de que gelerias e picos de neve eternas de montes como Everest, alpes da Europa, andes na América do Sul, entre outros, estão derretendo em função do aquecimento global. Além de entrevistar especialistas em mudanças climáticas, gostaríamos de incluir pelo menos um depoimento de alpinista que tenha estado em alguma rota clássica para a prática de alpinismo e que tenha percebido a diminuição da neve, em relação a outros anos em que esteve lá, ou que tenha, durante a viagem, ouvido relatos de nativos ou outros alpinistas mais antigos, sobre o fato de que a neve havia diminuído. Você conhece algum alpinista que já tenha viajado por montanhas geladas, e que poderia nos dar um depoimento sobre o tema (alguém que tenha percebido a diminuição das neves em alguns dos lugares em que esteve escalando, ou que tenha tido contato com outros viajantes ou nativos dessas localidades, que tenham relatado isso)?

    Caso você tenha o contato de alguém com esse perfil, e possa nos indicar, agradeceríamos muito. Bastaria nos indicar o e-mail ou telefone da pessoa e faríamos o contato para entrevistá-la. Por questões de prazo, o ideal seria se pudéssemos falar com essa pessoa entre hoje e amanhã (dia 18 de julho).

    Obrigada,

    Daniele
    daniele@superig.com.br

  4. Oi,
    A entrevista do Alê está bem didática até para quem não entende muito. A seguinte já é mais técnica.
    Mas me ocorreu lendo a matéria que talvez seja interessante fazer um folder ou um cartão e deixar em lojas como a do entrevistado, indicando seu site. Poderia ser colocado nas sacolas de compras dos clientes. Algo assim em Campinas também.
    O que acha?

  5. Só agora li a entrevista de KLEM LOSKOT, janeiro de 2007, que escreveu um livro.Muito legal, pena que não lembra por onde passou em SP e RJ

    abraço, parabéns

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