
Essa é para quem curte esportiva. Está em todos os sites do “big business do climb”. O monstro escocês da exposição Dave MacLeod mandou, finalmente, seu projeto Echo Wall. Segundo o próprio, “mais difícil que a Rhapsody“, que é cotada em E11 (!). Então…será um E11+? Está aqui na Rock&Ice, sem fotos, e aqui na Climbing, com fotos. O cara estava tentando mandar a via desde 2006, e treinou mandando vários décimos e décimos-primeiros graus para mandar a Echo, insclusive solando um 5.14 na Espanha, diz a reportagem da R&I. Realmente, é muita mandação. O monstro do lago Ness que se cuide…
Mais uma notícia não boa envolvendo fogo e montanhas. Desta vez por aqui em terras brazucas. Abaixo vai trecho do texto enviado via email para uma das listas de discussão de montanha existentes na web, pela Nathalie Sterblitch.
O fogo começou no fim da manhã de segunda-feira em dois pontos distintos: Morro do Camelo e Pedra Furada. Por sorte, homens da brigada de incêndio (PrevFogo) do PNI estavam em treinamento por lá na hora e puderam agir rapidamente. Foram pedidos reforços da brigada da APA da Mantiqueira, além de voluntários. Dessa forma foi possível atacar o fogo com agilidade e a tempo de evitar que ele se alastrasse.
O incêndio foi controlado ontem (terça) à tarde e neste momento (tarde de quarta-feira) , agentes da brigada continuam no local para evitar que o fogo dê as caras de novo.
Perícia feita, calculou-se 30 hectares queimados na área da Pedra Furada e dois hectares no Morro do Camelo, que fica em frente ao Hotel Alsene – para se ter uma noção, é equivalente a 32 campos de futebol. O mega incêndio do ano passado consumiu 800 hectares.
O coordenador do PrevFogo PNI, Gustavo Tomzinski, acredita que a causa tenha sido VANDALISMO, já que os dois focos surgiram simultaneamente. É bem verdade que as condições climáticas favorecem o aparecimento de focos. Nessa época é comum que os campos de altitude amanheçam cobertos por uma camada de gelo, o que deixa a vegetação muito ressacada. A falta de chuva também não colabora em nada. Mesmo assim, segundo Gustavo, é difícil acreditar que o início do incêndio tenha sido acidental. Se fosse assim, só pelas condições climáticas, teríamos focos todos os dias e em vários pontos distintos, o que não vem acontecendo.
A parte boa é que o Planalto não foi fechado pra visitação.

O teenager tcheco Adam Ondra, de apenas 15 anos, mandou em redpoint a lendária via suíça WoGü, cotada em 5.14 – graduação geral. A via tem sete enfiadas de 5.13 “fortes” mais duas enfiadas de 5.14b e outra de 5.14a com “esticões substanciais” diz a reportagem, totalizando 10 cordadas. Já no site da Alpinist outra reportagem sobre o mesmo assunto diz que a via tem 7 enfiadas e 230m de calcáreo. Alguém aí já mandou essa para confirmar? Curiosidade: o nome WoGü é uma homenagem ao falecido escalador Wolfgang Güllich, que dispensa apresentações no mundo da esportiva. Leia reportagem em inglês aqui.
Photo by Eva Ondrova, courtesia de Czechclimbing.com.
Taí uma parada interessante recém-lançada pelo portal Webventure. Uma ferramenta online para traçar, atualizar, pesquisar mapas, com interatividade entre os internautas, praticantes, usuários, etc. Confira.
Notícia que está rolando nas listas de discussão de escalada e montanhismo de SP, RJ e da CBME. Abaixo trecho do texto que chegou no email, aparentemente retirado de alguma agência de notícias internacional:

A Alpinist noticiou no último dia 26 de julho mais uma sobre a montanha mais alta do mundo. A China fechou novamente a face norte do Sagarmatha, sob a alegação de “limpeza”. A informação circulou por divulgação do Escritório de Proteção Ambiental do Tibet há alguns dias atrás e vem na onda das proibições que começaram em maio para a subida da tocha olímpica. Na matéria da Alpinist, o autor cogita a proibição como mais uma ação chinesa para impedir novos protestos pró-Tibet às vesperas das olimpíadas.
“Temos a responsabilidade de garantir que a fonte de águas dos rios que fluem do Everest até o mar esteja limpa” afirma o chefe do escritório citado, Zhang Yongze, alegando proteção ao frágil ecossistema da montanha.
Fato é que em ambos os lados, o Everest acumulou enormes quantidades de lixo abandonados durante 55 anos de ascenções por montanhistas, o que leva muitos a taxarem a montanha de a “lixeira mais alta do mundo”, como descreve a reportagem. Por outro lado, tanto China quanto Nepal, nunca se preocuparam com este assunto ou adotaram medidas para minizar tal impacto.
O autor da matéria ressalta: “Até hoje as autoridades chinesas nunca limitaram o acesso à montanha – os custos dos passes via Tibet sempre foram mais baratos que pelo Nepal – e nunca começou um sistema eficiente de eliminação de lixo das expedições. Ao contrário, recentemente desenhou e construiu uma estrada que dá acesso direto ao campo-base, e que custou 20 milhões de dólares. Enfim, cada um tirando suas próprias conclusões. Clique aqui para ler a íntegra, em inglês.
Karina Filgueiras e Bito Meyer abrem via nova na face norte, Cães e Caravanas. Confira e veja fotos no portal Webventure.
A viagem toda começou com a leitura de um artigo escrito por um guardaparque do Parque Provincial Aconcágua, sobre as obrigações deles na montanha e seu entorno, e dos visitantes. Lá diz, por exemplo, que se você pensa em subir a montanha, além de toda a burocracia e grana necessárias, você recebe duas sacolas plásticas. Uma para carregar seu lixo (para cima e para baixo. deve voltar com ela, pois as sacolas são numeradas para controle) e outra para carregar sua “matéria fecal”, como diz elegantemente o escritor. Tem que querer mesmo subir a montanha. Mas, é válido e necessário. Senão, a montanha viraria uma montanha de outra coisa…
Enfim, o artigo é bem interessante, o link está aí nas linhas acima em vermelho, e vale ler. O que me levou a escrever este post foi outro pensamento. Perdido nas leituras surgiu um conceito, sempre presente em sites como este, ou como qualquer outro que fala de montanha. “Turismo de aventura”.
E foi este conceito que me levou a escrever o que segue:
Posso estar errado, mas a impressão que tenho é que o turismo de aventura surgiu para “empacotar” a aventura, literalmente. Pode ser bom para a economia, gerar empregos, e todos temos o direito de comprar pacotes turísticos. Mas, eu não quero pacote. Quero imaginar um lugar onde ir. Depois tentar descobrir como chegar, e decidir entre as possibilidades. Ter escolha. E um mundo desconhecido. Quero me perder. Cair em roubadas. Descobrir dicas com amigos que já foram. Olhar mapas para tentar entender o lugar desconhecido. Criar meus próprios planos, e depois desistir deles a hora que bem entender.
Aventura é chegar numa cidade a 10 mil km de casa sem reserva em hotel. Dormir ao relento, ou de repente, descobrir com uma dica de algum outro viajante, aquele lugar baratinho, simples, com a Dona Ellen fazendo um café da manhã “roots” no jardim de inverno de sua casa centenária. Dormir no sótão e acordar com familiares da hospedeira chegando. Ouvir a conversa deles e só entender meia dúzia de palavras, mas ainda assim, saber que falam do cotidiano, da vida.
Quero acordar tarde, descobrir o preço do ônibus urbano, e andar nele com as pessoas que vivem naquele lugar. E sentir a situação única de todos te olharem como gringo e você se sentir como tal, e ao mesmo tempo nos sentirmos iguais. Para quê um guia se posso me perder nas ruas, com fome, procurando um lugar que tenha quele prato gigante por um precinho mini, e aproveitar a alegria de encontrá-lo? E ainda acompanha fritas e cerveja!
Turismo de aventura costumava ser algo assim. Viajar, descobrir. Ir ao desconhecido e voltar conhecendo. Passar fome. Comer até passar mal. Ficar sujo depois de uma tempestade de poeira. Acampar próximo a um riacho. Passar um dia sentado sem fazer absolutamente nada, e só assim ver pássaros ou outros animais em seu espaço. Descobrir o que é a escuridão da noite em um lugar sem luz. Ver um céu com tantas estrelas que até as constelações, que você nunca consegue nem imaginar, aparecem. Comer uma comida feita no fogareiro, daquelas semi-prontas que você acharia horrível em casa, e achar sensacional.
Ter que caminhar diariamente para encher sua garrafa de água em algum trecho do riacho, se quiser ter o que beber. Caminhar horas e horas com quilos e mais quilos nas costas para chegar em um lugar que nunca chega. E ao chegar lá, esquecer do cansaço ao ver a natureza local. Encontrar outros viajantes perdidos como você e ouvir suas histórias e apuros. Ter de falar com um grupo onde se falam 5 idiomas diferentes, e todos se entendem e ao mesmo tempo, ninguém sabe falar a língua do outro. Dar risada de você mesmo ao ter de enfrentar banheiros de rodoviárias longínquas ou, pior ou melhor, ter de se aliviar no mato.
Esquecer que existe banco, trânsito, carro, escritório, poluição, contas, trabalho, horários, e descobrir que quando se está viajando assim, ir no supermercado comprar comidas é algo irado para se fazer. Tomar o melhor banho quente da sua vida depois de 4 dias acampado perto de alguma montanha, se lavando em água de degelo. E na hora de voltar para casa, perceber que os horários dos ônibus ou aviões mudaram e você vai ter que correr como louco se quiser chegar a tempo. E saber, que no fim, tudo deu certo, e mesmo o que pareceu ser errado, virou parte da aventura, e enriqueceu a história com momentos que você não compra.

Italiano de 38 anos desaparece na parede Rakhiot do Nanga Parbat (8.125m). Leia mais no Desnivel.
A Alpinist foi mais cautelosa e disse que a travessia dos GI e GII (veja post abaixo) fora anunciada porém não confirmada. Já hoje, o portal Desnível traz o “diz que me diz” à tona. Outro “colega” da dupla diz que eles desceram até o campo base antes de fazer o segundo cume. Gostaria eu de ter esses “problemas” de intrigas montanhísticas ao invés de passar 10 horas por dia em um escritório…