Lixão oceânico

O curioso é que todo mundo sabe, todo mundo comenta, as Nações Unidas observam, os estudiosos apontam, mas ninguém faz NADA pra resolver o assunto: http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/ilha-de-plastico-no-pacifico-aumentou-100-vezes

Porque corporações que lucram alguns bilhões/ano não enviam umas embarcações recolher o lixo? Se existe pena alternativa para pequenos crimes, porque não existir uma pena alternativa para o “pequeno” derramamento de óleo da BP no Atlântico? Manda a BP, e a Chevron, recolherem esse lixo já que estão familiarizados com o ambiente e possuem recursos e navios para tal.

Montanhas de dinheiro

A maior montanha das Américas, o Aconcágua, recebeu 7 mil pessoas na última temporada. Disso todo mundo sabe, basta acessar esta notícia do AltaMontanha.com. Ao ler a mesma lembrei-me das palavras de um montanhista e colunista do mesmo site, Paulo Roberto Felipe Schmidt, o Parofes, sobre esta montanha, que ele “carinhosamente” chamou de “montanha de dinheiro” em um de seus divertidos textos. Aquilo me fez pensar imediatamente na arrecadação financeira de tamanha visitação ao ponto mais alto do hemisfério sul. Segundo a nota do AltaMontanha, aproximadamente 50% dos visitantes pagaram pela ascensão, e os outros 50%, pelos permisos de trekking (caminhada).

Como gosto de montanhas, e dinheiro, e de montanhas de dinheiro, ainda que não as tenha conquistado até o momento, elaborei o pequeno raciocínio a seguir.

Utilizando os valores cobrados pelo Parque Provincial Aconcagua (www.aconcagua.mendoza.gov.ar), que são os oficiais, e presumindo que estão em Pesos Argentinos (e não em dólares), fiz dois cenários (mais abaixo todos podem entender de onde vem os valores a seguir), e por mera curiosidade, temos os seguintes valores após a conversão para o Real:

Cenário hipotético 1 – “O máximo”
Alta temporada total para ascensão e Trekking Longo
Imaginemos que todos os 7 mil visitantes tenham pago preços de Alta Temporada, e que os caminhantes tenham pago somente o trekking longo. Teríamos neste caso o seguinte faturamento:

(A) R$ 4.546.500,00 + (B) R$ 1.212.400,00 = R$ 5.758.900,00

Cenário hipotético 2 – “O minimo”
Baixa temporada total e Trekking Curto

(C) R$ 1.818.600,00 + (D) R$ 575.890,00 = R$ 2.394.490,00

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Temporada 2011-2012 Aconcagua

7 mil visitantes

ASCENSÃO

50% | 3.500 pessoas

Baixa temporada
R$ 519,60 x 3.500 = R$ 1.818.600,00 (C)

Média temporada
R$ 952,60 x 3.500 = R$ 3.334.100,00

Alta temporada
R$ 1.299,00 x 3.500 = R$ 4.546.500,00 (A)

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TREKKING

50% | 3.500 pessoas

Longo:

Baixa/Média
R$ 285,78 x 3.500 = R$ 1.000.230,00

Alta
R$ 346,40 x 3.500 = R$ 1.212.400,00 (B)

Trekking Curto

Baixa/Média
R$ 164,54 x 3500 = R$ 575.890,00 (D)

Alta
R$ 177,53 x 3500 = R$ 621.355,00

Preços em Pesos Argentinos, convertidos para Real segundo cotação do banco Central do Brasil [http://www4.bcb.gov.br/pec/conversao/conversao.asp], na data de 2/5/2012, e considerados somente preços praticados para estrangeiros (pagam permisos mais caros que os argentinos).

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203 resgates
1 desaparecido
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Como podem notar, a arrecadação pode ter variado entre o mínimo de R$ 2 milhões e um máximo de R$ 6 milhões, isso considerando somente os permisos! Se imaginarmos acréscimos de hospedagem no hotel que fica no campo base da montanha, uso e compras diversas de serviços e equipamentos na província de Mendoza, dá para crer que a economia local realmente deve ficar bastante movimentada, e grata de tanta gastança.

É óbvio que o corpo de profissionais e resgatistas do Parque precisa se sustentar, portanto já é uma justificativa para parte dos valores. Entrei em contato, via e-mail, com o Parque Provincial Aconcagua, solicitando um detalhamento de para onde vai cada centavo destes milhares, ou milhões de pesos, e é claro, a resposta foi o silêncio total. Devem ter pensado, “o que este brasileiro desconhecido que nunca sequer veio aqui quer saber do nosso dinheiro?”. Bem, seria uma obrigação deles como prestadores de serviços públicos em área pública (ou o Aconcágua foi privatizado e só eu não estou sabendo???) prestarem contas, com total transparência, de cada centavo arrecadado.

Enquanto a resposta deles não chega (duvido que algum dia chegará, mas se chegar tenham certeza de que atualizarei aqui) fica aí a curiosidade financeira aos andinistas. Vamos deixar claro também que subir a montanha mais alta da metade sul do planeta é um sonho de muitos, inclusive o meu, portanto, ao ser tão crítico posso parecer aqui invejoso. Mas não é a intenção. Um dia também farei parte desta multidão, talvez. Mas me farei as mesmas perguntas a seguir.

Após pagar e escalar, será que lembrarei o nome de algum guarda-parque local, médico, dono de mulas, motorista do busão, etc? Provavelmente só se estiver no time dos “resgatados” com certeza lembrarei dos guardaparques. Conhecerei alguma comunidade local que se beneficia do uso intensivo da montanha pelos “turistas”? Terei alguma ideia de como fica a situação sanitária na base da montanha após 7 mil pessoas terem feitos suas necessidades (número 1 e número 2) ali? Para onde vai todo o excremento humano ali depositado? O lixo sabemos, é supostamente bem recolhido por todos, segundo regras “rígidas” do Parque (é mesmo?). Qual o impacto de 7 mil pessoas no abastecimento de água potável na montanha? Afinal todos sabemos que é preciso beber litros e litros de água para ficar bem hidratado em sua ascensão “conquistadora” e “aventureira”.

Abre-se aqui outra boa curiosidade, imaginemos expandir o conceito de “montanhas de dinheiro” para a arrecadação proporcionada pelas montanhas do Himalaya, muitos milhares de dólares acima em termos de valores do que o Aconcágua. Picos como Everest (onde a participação em uma expedição não fica por menos de US$ 50 mil por pessoa), K2, e seus irmãos de 8.000m devem render igualmente boas quantias em dinheiro. Mas para quem? Não vejo os sherpas ficando ricos, nem os povos do Tibet, Nepal, ou China, que vivem nestas áreas montanhosas enriquecendo…Quem sabe se um dia eu puder pagar por aventuras como estas descobrirei respostas por conta própria. Por enquanto sou mais propenso a buscar montanhas “gratuitas” e com menos destaque “econômico”.

Honestos…

Nada a ver com montanhas mas acho que merece a lida, copiei de um texto que li na web: “Diante de tudo isso, não há como não se lembrar do discurso que Ruy Barbosa fez em 1914, se dirigindo aos senadores. “A falta de justiça, senhores senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. A sua grande vergonha diante do estrangeiro é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais. A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem. Cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte. Promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’.”

Montanhismo de olho

Muito boa esta coletânea de fatos elaborada pelo montanhista Parofes, colunista do portal Alta Montanha. Os relatos de diversos outros montanhistas selecionados por ele mostram a importância que nós, montanhistas, representamos para o meio ambiente das montanhas, como cooperadores, vigilantes, denunciadores das palhaçadas que rolam em trilhas e escaladas Brasil afora. Como já era de se esperar, as denúncias e relatos levantados pelo Parofes parecem causar pouco, ou nenhum efeito prático de punição ou resolução de problemas. Mas, a divulgação e a circulação da informação é melhor que nada.