Wilo Montanhas


porque.
07/07/2009, 11:13 pm
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Je grimpe pour me sentir en harmonie avec moi-même, parce que je vis dans l´instant, parce que c´est une forme d´expression éthique et esthétique par laquelle je peux me réaliser, parce que je recherche la liberté totale du corps et de l´esprit. Et parce que ça me plaît.

Patrick Berhault – julho de 1957 – abril de 2004.



Vidas de solos
07/07/2009, 11:00 pm
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bachar

Um dos montanhistas e escaladores que eu mais admirava faleceu sábado, dia 5 de julho. Foi encontrado morto na base de uma via, sozinho, e provavelmente estava solando em livre, que era sua forma preferida de escalar. Na verdade, há anos, ou décadas, sua única forma de escalar: solo.

John Bachar morreu com 52 anos e tocava o f…-se quando o assunto era o “mundinho” da escalada, do diz-que-diz, de quem é quem, e mantinha-se à margem do business climbing, e não passava perto do “hall dos famosos” que só querem sair em capa de revista e escalar montanhas para mostrar “sucesso”.

Ironicamente, ele está na capa de uma Rock and Ice de 2008, e que tenho a sorte de ter em casa. Ler a entrevista com ele e enxergar um pouco do seu mundo vertical é uma boa lição para qualquer escalador, ainda que “temporariamente aposentado” como eu.

E como o ato de “solar” ficou em meus pensamentos desde o anúncio de sua morte nos principais sites de escalada do mundo, lembrei de outro solo impressionante, que para nossa sorte está no tal youtube (i-u-tchube como ouço alguém falar nas ruas hora ou outra e seguro a risada). É o solo de outro escalador que marcou época, Patrick Edlinger, cujo sobrenome inclusive batiza um modelo de famosa marca de cordas, e que muitos de nós já usamos ou escalamos, a Beal Edlinger.

Clique aqui e vá até o minuto 4 do vídeo, para ver o senhor Edlinger escalando, provavelmente nos anos 80 ou quase 70, apenas de “shorts”, e DESCALÇO, nas Gorges du Verdon, na França. Sim ele passou “mag” nos pés (!).

John Bachar deixa um filho, e uma lição de escalada solo. Mais infos em inglês aqui, e outras milhares para quem quiser saber buscando no google.



Estilo Alpino “Eco” por sherpas no Everest
19/06/2009, 12:05 pm
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eco_everest_2009

A União Internacional das Associações de Alpinismo – UIAA executou pela segunda vez a escalada “eco-sensível” (traduzindo livremente termo usado por eles) no Everest, com gerência encabeçada por sherpas. Liderada por Dawa Steven Sherpa, a expedição mostrou eficiência operacional e de custos, com o uso de energia do sol para aquecer água, além de ações educativas para conscientização dos problemas do aquecimento global nos Himalayas no campo-base, e a inclusão de práticas sagradas indígenas.

A ação removeu nada menos que 6 toneladas de lixo dos campos de gelo da montanha. Partes de um helicóptero acidentado em 1973, e mais tanques de oxigênio usados por “escaladores” estavam entre as tralhas. A Eco Everest Expedition 2009 proporcionou um novo recorde mundial para seu líder, que chegou ao topo da montanha pela 19ª vez. Clique aqui e leia mais, em inglês.



Ogro
18/06/2009, 11:11 pm
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EIGER01Clique aqui para ler novo texto sobre uma velha montanha, em nossa página àvista.



Business x Climb
12/05/2009, 7:41 pm
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Matéria excelente escrita pelo Beto Sponchiado, publicada no portal AltaMontanha, sobre Cochamó, vale ler, e divulgar.



Escalar ou falar?
07/04/2009, 8:04 pm
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le_escalar_falar

Na última vez que fui escalar, estava em um mal dia. Um dia que começou com humores negativos, prováveis multas de velocidade na estrada a caminho da falésia, e terminou com um tornozelo quebrado. Explicando melhor, um ligamento com rompimento total, uma fratura por avulsão, entre outros problemas menores no pé esquerdo. Vinte dias já se passaram. E muitos mais dias sem escrever coisa alguma para este site-blog-chame-como-quiser. Antes do acidente já havia parado de escrever sobre os temas centrais deste site – o montanhismo e a escalada – por motivos que não estavam suficientemente claros, e talvez continuem assim.

Após o acidente veio o tempo de parar literalmente. Exames, probabilidades de cirurgia, imobilização com gesso, mais exames, até o veredito final. Total de 32 dias imobilizado, e um futuro breve de fisioterapia por tempo indeterminado. Mas a escalada e eu nos encontraremos um dia novamente, afinal quase uma década de união não termina assim.

A queda não teve seu glamour cinematográfico, foi mais uma coisa ridícula, uma paspalhada, um escorregão antes da primeira costura, e o tornozelo pagou caro por sua fragilidade diante da raíz de uma simpática árvore que dá boas vindas aos candidatos a escalar a via guardada por ela. O local não interessa, o grau não interessa. O erro foi só meu. E de julgamento. Com ele aprendi coisas interessantes, algumas que já sabia mas havia esquecido, outras novas. Uma fratura por avulsão, por exemplo, ocorre quando o ligamento (de tão forte que é) “puxa” um pedaço do osso em que está ligado.

Fiquei impressionado com a força de um simples ligamento. De tão forte, arranca um pedaço do osso, ao invés de se partir como um elástico. O ligamento manda bem. Mas um dos meus do tornozelo, coitado, se perdeu. Vai ter de se contentar, quem sabe, com uma vida mais mole, rodeado de fibroses que, talvez, lhe ajudarão a compensar sua fraqueza pós-traumática. Já o amigo ósseo tem um futuro melhor, deve se reestabelecer, seguirá sua vida quase normalmente.

Mas ainda não sei explicar ou distinguir exatamente quais são os motivos pela falta de novos textos por aqui. Acho que me senti parte de algo, um comportamento, e logo percebi que não gostava nem um pouco deste comportamento, e pior ainda, não era exclusividade minha, e sim de muita gente que frequenta a escalada: muito falatório, pouca escalada. No meu caso quem sabe, muito texto e pouca escalada, já que não sou de falar, sobretudo escalando.

Percebi tudo isso ainda melhor neste mesmo dia do acidente. No qual fiquei quieto praticamente o tempo todo. Era realmente um dia atípico. Chovia em pontos isolados da região, assim somente uma falésia poderia estar seca naquele dia, e consequentemente, todos iriam escalar lá. Falésia cheia, base das vias parecendo reunião de família, muito falatório.

Eis que mesmo quieto, sem falar uma única palavra, não fui poupado pelo falatório alheio. Já bastante irritado em não poder me concentrar em escalar, e ser obrigado a ouvir o quão fantásticamente bons alguns e algumas ali eram, e como tais e tais vias de nono grau eram “seus projetinhos”, ou a pior de todas na minha irrelevante opinião: “ah essa aí eu já mandei com duas quedas”…

“Mandei com duas quedas” ??? Bom, quem entende o mínimo do mínimo de escalada esportiva já sabe – sem comentários.

Pois bem, voltemos. Fui dar “seg” para um amigo. O amigo me disse que era um décimo grau, e que estava trabalhando a via, ia dar uma entrada apenas para memorizar novamente os movimentos, depois deixaria o “top” armado caso eu quisesse tentar. Ok, eu disse. E o falatório seguia.

“Nossa essa via é demais, era meu projetinho, mandei com duas quedas, é muito gostosa essa via, é um nono grau facinho, qual o nome da via mesmo? Bla bla bla bla bla bla.”

Quer dizer, a via era seu projetinho mas você não sabe sequer o nome da via? Pensava eu já sem esperanças de ter paz ali, enquanto tentava quase inutilmente me concentrar na “seg”. Meu amigo desce após chegar na parada. “Então, quer tentar?”, me pergunta. É claro , disse, afinal eu nunca perdi a oportunidade de entrar em vias que eu jamais conseguiria escalar guiando. Mesmo porquê, depois de nove anos escalando, deixei de me preocupar tanto com o grau da via em falésias esportivas. O grau para mim hoje é “consigo” e “não consigo”. Mas eu estava feliz em ter um décimo grau ali equipado, com top rope, para poder entrar e brincar em seus negativos e regletes sem a preocupação de estar guiando, e muito menos de mandar. Apenas escalar e conhecer, e aprender.

E lá vem o falatório, desta vez em minha direção. “Ah mas é melhor você entrar em outra via mais facinha antes hein, esses regletes do começo são muito ruins. Ah é um décimo grau ein, melhor não ein, vai doer os dedos ein” e bla bla bla novamente. Eu comecei a me perguntar se aquilo era comigo, bastante surpreso inclusive, já que eu nunca me intrometo em escaladas alheias.

Parto do princípio de que se você está ali na montanha ou na falésia para escalar, você deve saber o que está fazendo, ser responsável pelos seus atos, e arcar com as consequencias deles. E não se preocupar com o que outras duplas ou cordadas estejam fazendo, a menos que o que elas façam possa te atingir diretamente ou colocar em risco sua segurança, ou de outras pessoas.

Assim, jamais eu falaria para alguém não escalar de top rope qualquer via que fosse. De top rope o máximo que pode acontecer é a pessoa desistir, e descer. Assim como eu também jamais falaria para qualquer pessoa escalar ou não, qualquer via, de qualquer maneira. Sendo um grau de alta dificuldade, ainda assim, poderia me machucar, ter lesões nos dedos, braços, por tentar um esforço acima do que aguentaria. E mesmo com essa possibilidade, a escolha é só do escalador, e não do espectador.

Ao notar que tamanha imbecilidade era comigo, apenas me limitei a responder: “Escalo por prazer, não por grau”. E comecei escalar. Aliás, escalada muito boa aquela via, movimentos bem interessantes, boa técnica, um prazer. Cheguei no crux e a escalada acabou ali. Não consegui passar o lance. Tentei ainda umas duas vezes, mas era realmente impossível para mim, por enquanto. Um dia quem sabe. Não há motivos para preocupação. Por enquanto é só uma via grau “não consigo”.

Entardecia, os poucos amigos que tentavam escalar por ali resolveram ir embora. Eu, quis tentar uma última via, pois tinha ainda muita vontade de escalar em um dia de falatório interminável. Não escalei. Acabei preferindo quebrar meu tornozelo. Não foi fácil descer 40 minutos de morro naquelas condições, e agradeço os amigos que me carregaram no final da descida. Foi uma atitude de escaladores, não de faladores. Obrigado.

A saudade da rocha logo será saciada, são poucos meses para a recuperação, dá para aguentar. O que talvez não dê para aguentar no retorno às vias e rochas será o falatório. Terá ele crescido? Será que todos que começaram escalar ontem nunca ouviram falar no Código de Ética de Montanha disponível em vários sites por aí? Um deles, por exemplo, no site da federação paulista, cita por mais de uma vez a importância do SILÊNCIO em locais de escalada, e dá várias razões para se manter a paz local. Mas acabo de me tocar, quem fala demais, ouve de menos. Certamente não ouviram, nem ouvirão nada a respeito de códigos de ética em montanha. Eu mesmo naquele dia não ouvi meu (in)consciente ou meu coração, antes de entrar em mais uma via. O resultado foi aquele. Ligamentos rompidos e um osso fraturado. Mas uma coisa eu ouvi perfeitamente, o estalo de algo quebrando quando meu tornozelo bateu no chão. Esse estalo pode ser o que está faltando para muitos faladores se tornarem escaladores um dia. Mas sinceramente, espero que não, pois seria mais fácil levar a sério um texto de algum código de ética, do que quebrar ossos do próprio corpo. Escale mais, e fale menos. A natureza e todos os escaladores de verdade, agradecem.



Alpinismo extremo em evolução
21/01/2009, 10:00 am
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Acesse nossa página àvista e leia novo texto sobre a história de parte do montanhismo e o alpinismo. Sob a ótica do americano Mark Twight, autor de Alpinismo Extremo, e de vias extremamente difíceis no Alaska, Himalayas, etc. Como não temos, ainda, este livro traduzido para o português por aqui, achei que um trecho seria interessante, pelo menos para aqueles que se interessam pelo tema. Boa leitura.


uma bicicleta e uma vida a menos…
15/01/2009, 4:34 pm
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Linkando matéria do Estadão, fato lamentável, para não ser esquecido. Uma bicicleta e uma vida a menos. E vai morrer mais gente, pois ninguém, exceto os que morrem, quer mudar porra nenhuma. Sem falar que o corpo da mulher ficou 4 horas estendido na Av. Paulista aguardando o “eficientíssimo” serviço funerário do poder público, que fica a apenas 2km dali (a central do IML). E a Sec. de Segurança Pública da cidade ainda disse que é “normal” a demora. Tudo é normal hoje em dia. Matar crianças, atropelar ciclista, fuzilar famílias. Só não é normal querer andar de bicicleta na cidade. E aqui um link para o site da organização Bicicletada.


Sobre a crise financeira…
09/12/2008, 4:14 pm
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Muito bom este artigo escrito pelo Carlão, que é colunista do site 360, e que já deu entrevista aqui no Wilo Montanhas. Confira.



Pit Schubert homenageado por vida dedicada à segurança
04/12/2008, 12:39 pm
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O engenheiro e montanhista alemão Pit Schubert foi eleito membro honorário da UIAA, por seus trabalhos incansáveis a favor da segurança do esporte. Membro da Comissão de Segurança da UIAA entre 1973 e 2004, Schubert também fundou e dirigiu a Comissão de Segurança da Associação Alpina Alemã (DAV) durante 32 anos.

Segundo ele, nos anos 60 e 70 “era fácil fazer grandes progressos em segurança na escalada, pois havia muito a ser feito”, conta o montanhista que trabalhava em uma época em que o homem pisava na Lua, mas aqui na Terra os escaladores ainda usavam piquetas com cabos de madeira.

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Graças ao desenvolvimento dos trabalhos em segurança, hoje existem 19 categorias de homologação em equipamentos de escalada e montanhismo, quando no passado, as atenções e os padrões de segurança estavam voltados principalmente apenas para cordas e mosquetões.

Nascido em dezembro de 1935, começou escalar aos 17 e foi um dos primeiros germânicos a escalar as três clássicas faces norte dos Alpes: Eiger, Matterhorn e Grandes Jorasses.

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Estas e outras curiosidades deste grande montanhista estão aqui nesta matéria publicada hoje no portal da UIAA, em inglês.